Janot se encontra com promotores e procuradores em Cuiabá e diz que a crise é “terrível e profunda”
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot participou, esta tarde, de uma conferência sobre combate a corrupção, na sede da Procuradoria Geral de Justiça. Janot, que até setembro esteve à frente da maior investigação criminal do país contra corrupção, respondeu as perguntas formuladas pelo público e entre os principais assuntos abordados, a Operação Lava Jato que, sob sua condução, levou a abertura de 137 investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal. “Não vamos tampar o sol com a peneira. O Brasil passa por uma crise terrível e profunda. O primeiro passo para mudar este quadro é o país fazer uma reforma política ampla”, declarou.
Rodrigo Janot também lembrou o empresário Henry Ford, para ilustrar como deve ser a postura dos órgãos de controle no combate a corrupção. “Tem horas que a gente desanima, tem horas que você não vê o resultado do trabalho, mas essa frase diz muito bem como deve ser a atuação nossa: ‘Existem muito mais pessoas que desistem, do que pessoas que falham’. O convite que eu faço a vocês é falhar e não desistir”.
O presidente da AMMP- Associação Mato-Grossense do Ministério Público- Roberto Aparecido Turin agradeceu a presença de Janot e destacou que, apesar de todas as dificuldades, das reações contrárias e de uma aparente apatia de parte da sociedade, o Brasil de hoje não é o mesmo Brasil de cincoou dez anos atrás. “Nós evoluímos, nós estamos evoluindo. Sabemos que as dificuldades no combate a corrupção são inúmeras e que a tarefa não é fácil e nem simples. O próprio Rodrigo Janot já citou que existem duas maneiras de fazer isso: por meio de uma revolução sangrenta ou por meio de uma revolução institucional, que é justamente cada instituição cumprir o papel que a Constituição lhe reserva”. Para ele, o combate a corrupção só será efetivo no país se o sistema de justiça como um todo tiver autonomia e independência. “Tem que ter independência, mas independência de forma real, concreta”.

Ele acredita que quanto mais se incrementa o processo de corrupção, mais comprometida é a democracia no país. “Nós temos que enfrentar esta questão. Nós não podemos permitir que o país recue neste caminho que já foi percorrido. A aposta é que nós devemos melhorar o país, não para nós, mas para as futuras gerações”
O evento foi realizado pela Associação Mato-Grossense do Ministério Público e Rede de Controle da Gestão Pública de Mato Grosso, com o apoio da Procuradoria Geral de Justiça, informa a assessoria.
Em Cuiabá, Janot também esteve no Tribunal de Contas de Mato Grosso participando do 2º Congresso Nacional de Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (Conacon).







