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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Política

Silval pagou R$ 1 milhão para lobista ‘parar de importunar’

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Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF) no dia 5 de julho deste ano, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) disse que em 2012 mandou o então secretário da Copa Maurício Guimarães pagar R$ 1 milhão ao lobista Rowles Magalhães para fazê-lo “parar de importunar”.

A origem do dinheiro era propina recebida por Maurício de empresários ligados à extinta Secretaria Extraordinária Estadual da Copa (Secopa).

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Conforme Silval Barbosa, o então secretário lhe contou que o pagamento de R$ 1 milhão a Rowles foi efetuado por intermédio do empresário Ricardo Padilla de Bourbon Neves, mais conhecido como Ricardo Novis Neves, dono da Factoring Borbon Fomento Mercantil Ltda.

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“Todos os envolvidos tinham ciência da origem ilícita dos recursos”, afirma o delegado da Polícia Federal Wilson Rodrigues de Souza Filho em sua representação à Justiça Federal.

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O motivo para Rowles importunar o então governador era a frustração de suas tentativas para fraudar a licitação de escolha da empresa que executaria a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande.

Em 2011, quando uma comitiva de políticos, técnicos e empresários, entre eles Ricardo Neves e Rowles Magalhães, viajou para Portugal a fim de conhecer a empresa Ferconsult, especialista em projetos de transportes públicos, Rowles, representando o fundo Infinity, também participou da viagem com a promessa de doar o pré-projeto de implantação do VLT avaliado em R$ 14 milhões ao governo do Estado.

No entanto, conforme revelou o depoimento de Silval, Rowles representava, por meio da Infinity, os interesses da Ferconsult e a suposta doação estava atrelada a interesses da empresa.

“Depreende-se das informações prestadas pelo ex-Governador do Estado que a ‘doação’ do pré-projeto avaliado em cerca de R$ 14 milhões revelava o interesse de Rowles e da FERCONSULT em ganhar dinheiro com a mudança de modal com a proposta da realização de uma parceria público-privada, o que acabou não acontecendo”, diz trecho do documento da PF.

A elaboração do pré-projeto pela Ferconsult realmente ocorreu e foi entregue ao grupo Infinity. Rowles Magalhães, por sua vez, doou-o para o governo, conforme Silval Barbosa.

Segundo ele, o governo só aceitou a doação porque não tinha tempo para fazer uma licitação e nem para firmar uma Parceria Público-Privada com a Ferconsult, já que faltava pouco tempo para a realização da Copa do Mundo de futebol. Por conta disso, o governo usou o pré-projeto como forma de ganhar tempo e realizou a licitação para contratar a empresa responsável pelo modal.

Como já havia executado o pré-projeto do VLT, a Ferconsult ficou legalmente impossibilitada de participar da licitação, o que frustrou a tratativa da empresa portuguesa com o lobista Rowles Magalhães.

Diante desse impasse, a empresa passou a exigir do então governador Silval Barbosa e do então secretário da Copa Maurício Guimarães uma indenização pelo pré-projeto anteriormente doado ao Estado.

Além da Ferconsult, Rowles também teria feito tratativas com outra empresa portuguesa, a Soares da Costa, para fraudar a licitação do VLT, mas esta também não saiu vencedora do certame.

Segundo o depoimento de Silval Barbosa, o lobista também havia acertado um “retorno” de propina no valor de R$ 5 milhões com o ex-secretário da Copa Eder Moraes. Como este foi substituído por Maurício Guimarães para conduzir aquela pasta, Rowles passou a cobrar deste o montante acordado com o antecessor.

“(…) Que o Declarante ficou sabendo, por intermédio de Maurício Guimarães que o fato do consórcio composto pela empresa portuguesa Construtora Soraes da Costa não ter vencido a licitação causou frustração a Rowles Magalhães, que estava realizando tratativas com a empresa Soares da Costa a fim de receber alguma vantagem; que Rowles Magalhães então começou a fazer cobranças sobre o Declarante e Maurício Guimarães”, disse Silval ao MPF.

Ainda de acordo com Silval Barbosa, as cobranças de Rowles Magalhães ocorreram no mesmo período em que o lobista começou a fazer denúncias à imprensa sobre fraudes na licitação do VLT mediante pagamento de propina.

Após o recebimento da quantia de R$ 1 milhão do governo, Rowles passou a negar perante a Polícia Civil o conteúdo das denúncias feitas por ele à imprensa e afirmou ter sido vítima de extorsão por parte do jornalista do UOL. No entanto, o jornalista, à época, apresentou a gravação da entrevista, comprovando que Rowles realmente havia falado o que foi noticiado.  

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