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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Política

Promotora de justiça sabia de esquema e não processou criminalmente, diz dono da JBS

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O empresário Wesley Batista, dono da JBS, em sua delação à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre propinas pagas no Estado de Mato Grosso, afirmou que a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, coordenadora do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) sabia que ele havia pago R$ 30 milhões em propina para o ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Segundo Wesley, em meados 2014, após já ter pago diversas vantagens indevidas a Silval Barbosa em troca de um benefício de R$ 70 milhões em créditos de ICMS, a empresa dele foi autuada pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) em R$ 200 milhões. Diante disso, ele procurou Silval e exigiu que o problema fosse solucionado. O ex-governador então sugeriu que o valor fosse compensado por meio de incentivos fiscais no Programa de Desenvolvimento Industrial, Econômico e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), com a extensão do benefício de uma planta em Diamantino para todas as outras no estado.

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Esse procedimento se deu por meio de fraude elaborada pelo então secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf e por um dos executivos da empresa, Valdir Aparecido Boni, que elaboraram um ato de governo com data retroativa, que foi assinado por Silval e Nadaf.

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Na mesma época, segundo o depoimento de Wesley Batista, o Ministério Público Estadual (MPE) moveu uma ação por improbidade administrativa contra agentes do governo e contra a empresa e o executivo Valdir Boni, referente aos R$ 70 milhões de créditos que já haviam sido alvo da autuação pela Sefaz e que ele tinha feito acordo com Silval. Em decorrência da ação na Justiça, a empresa teve R$ 70 milhões bloqueados.

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Diante do processo cível, o empresário afirma à PGR que fez um acordo com a promotora Ana Cristina Bardusco, que, segundo ele, sabia de todo o esquema de propina pago à Silval Barbosa. “Eu estive várias vezes com a promotora de justiça que coordena isso, que é a doutora Bardusco discutindo com ela, ela sabe do assunto. Depois de uma longa discussão, de um ano de discussão, nós fizemos um acordo com Mato Grosso, pagamos tudo o que nós tínhamos tido de créditos ilegais, em que pese eu falar pra promotora que o crédito só estava me colocando em igual condição com os outros”.

Segundo Wesley, depois desse acordo, a JBS eliminou todas as suas pendências financeiras com o Estado de Mato Grosso. “Fizemos o acordo, pagamos tudo o que tínhamos no Estado, hoje nós não temos nenhuma pendência financeira, mas o processo lá continua, eles continuam investigando o assunto”, disse se referindo à ação que tramita na Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular, em que são réus Silval Barbosa, Pedro Nadaf, os ex-secretários de Fazenda Marcel de Cursi e Edmilson José dos Santos, além da JBS Participações S/A e o executivo Valdir Aparecido Boni.

Questionado pelo procurador membro da força-tarefa montada para atuar na operação Lava Jato se a promotora Ana Bardusco não levou o caso para a esfera criminal, já que envolvia pagamentos de propina e fraude de documentos públicos, Wesley reafirmou que ela sabia de tudo, mas não abriu o processo criminal.

“A procuradora sabe, eu fui claro o máximo que eu podia ser, ela sabe que eu fiz pagamento indevido, pagamos propina. Eu nunca neguei a ela que tinha alguma coisa errada, em que pese eu não falei o que estou falando aqui, os detalhes”, explicou.

A reportagem procurou a promotora Ana Cristina Bardusco, por meio da assessoria de imprensa do MPE, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve a versão dela sobre os fatos.

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