Mauro Zaque nega ter influenciado na escolha de procurador geral
Após ter sido acusado de chantagista pelo governador Pedro Taques (PSDB) por supostamente tentar influenciar na escolha do procurador geral de Justiça do Estado para o biênio 2017/2018, o promotor Mauro Zaque, autor da denúncia sobre a existência de grampos ilegais contra pessoas contrárias ao atual governo, se defendeu negando a interferência.
Na última quinta-feira, Taques disse, em entrevista coletiva, que foi procurado por Zaque que queria indicar o nome do promotor José Antônio Borges para o cargo. Em entrevista à Rádio Capital FM, esta manhã, o promotor negou que tenha feito isso.
“Nunca houve essa conversa e eu tenho como provar, pios tenho conversas de WhatsApp no mesmo dia que foi nomeado, onde eu sequer menciono o nome de José Antônio. Quando o governador fala que já escolheu, eu falo: ‘Ok, beleza. Tudo bem, tranquilo. Sem problema’. Mas eu não vou divulgar isso agora”.

Zaque ainda afirmou que a acusação contra si pode ser levada à Procuradoria Geral da República, da mesma forma como levou a denúncia sobre os grampos ilegais no governo Pedro Taques. “Eu estou avaliando que medida eu vou tomar com relação a esse fato e com certeza isso vai ser objeto também de apreciação lá na Procuradoria Geral da República”.
Além de negar a interferência na escolha do chefe do Ministério Público Estadual (MPE), o promotor explicou que, mesmo se isso tivesse acontecido, não seria uma extorsão, conforme alegado pelo governador. “Isso não seria influir. Se isso realmente tivesse acontecido, o que não aconteceu, seria legítimo. A escolha é do governador. Qualquer um pode chegar e pleitear por aquele que é mais viável. Agora, isso não aconteceu porque qualquer pessoa dentro do Ministério Público sabe que, não obstante eu respeitar muito o doutor José Antônio pela história dele dentro do Ministério Público, pelo trabalho que ele desenvolveu e desenvolve, enfim, pela pessoa que ele é, mas ele nunca foi ligado ao nosso grupo”.
Segundo Mauro Zaque, se fosse para indicar alguém, seria a procuradora Eliana Maranhão, com quem tem mais vivência. “De todos os três candidatos, o doutor Mauro Curvo, que foi escolhido, é do meu concurso; a doutora Eliana Maranhão é minha amiga pessoal, trabalhamos juntos no Gaeco, enfim. Se fosse pra influenciar por alguém, seria pela doutora Eliana porque o doutor Mauro Curvo já era do grupo que já estava aí e que ficou em primeiro lugar. Então, se eu fosse influenciar seria pela doutora Eliana, o que seria legítimo”.
Na semana passada, o governador Pedro Taques também classificou como chantagem o fato de Mauro Zaque ter solicitado a exoneração do então comandante geral da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, por conta da suspeita de que ele teria participação nos grampos ilegais.
Com relação a isso, Mauro Zaque também se defendeu, afirmando que pediu sim a exoneração, mas que isso era dever de qualquer agente público diante de indícios de irregularidades.
“Falaram que eu queria extorquir o governador porque eu queria demissão desse ou daquele. Isso não é extorsão, isso é dever de um agente público de bem ao tomar conhecimento de um fato, mesmo que esse fato não esteja devidamente comprovado, mas já com evidências. Tomar providência. Se eu falei pro governador que era importante a demissão de algumas pessoas, é porque eu sabia que era em razão da gravidade desses fatos e até para que esses fatos pudessem ser apurados em sua plenitude já naquele momento”.







