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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Dai, pois, a César o que é de César

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A transparência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em mostrar para a sociedade os valores pagos a juízes de primeira e de segunda instâncias, inclusive diferenças de salários, ao longo dos anos não acertadas, é o primeiro e pioneiro passo para e pela transparência, a abalar o consentido instituto da corrupção adotado pelos servidores públicos e pelos agentes políticos.

A corrupção, que se resume no “toma lá, dá cá”, está perdendo o seu véu, seja como negociata, seja como acomodação de interesses divergentes, seja como remoção de dificuldades, onde autoridades, políticos e empresários, deixavam de ser partes contrárias e passavam a integrar um consórcio, visando sempre a vantagens para eles e prejuízos para a União, Estado, Distrito e Município, extensivos às pessoas jurídicas com estes relacionadas.

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Essa condenável prática, com perplexidade e indignação revelada pela “Operação Lava Jato”, autoriza concluir que, lamentavelmente, há “algo de podre também na República Federativa do Brasil”.

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Um país pode viver com leis más, se seus juízes são bons. A um país não lhe serve de nada as boas leis, se seus juízes são maus.

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Antes, todavia, de se valorar as leis é preciso valorar os juízes, que precisam estar preparados, como advertiu Maquiavel, em “O Príncipe”, para reconhecer as armadilhas e afugentar os lobos. Esse preparo depende dos seus equilíbrios material e emocional, que, por suas vezes, se relacionam com os recebimentos de seus direitos e de seus justos salários.

É preciso refletir que esses mesmos juízes têm a solução de litígios, envolvendo conflitos de vultosos patrimônios, de consideráveis honras, de respeitáveis famílias e de injustos interesses de organizações criminosas, e, exatamente por isso, não podem andar “de pires na mão”.

Um magistrado sem patrimônio e sem o regular atendimento de seus direitos adquiridos e do seu justo salário, que proporcionem a ele e a sua família uma vida funcional, material, moral e social dignas, não estará armado o suficiente para lutar contra o monstro da corrupção, que Tolstoi, em um drama sublime, chamou de “Poder das Trevas”.

A magistratura em Mato Grosso não é menos honesta, e nem menos significante que a do Supremo Tribunal Federal, que a do Superior Tribunal de Justiça e que a dos demais tribunais superiores, tanto que, até agora, dela não se assistiu a impunidade de um ou outro que tirou o pé da estrada firme da honestidade.

Por isso os seus 84 (oitenta e quatro) ilustres membros, que receberam, mais ou menos R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), por direitos acumulados, alguns com 10 (dez) e outros com até 20 (vinte) anos de trabalho, cujos lançamentos estão expostos em painel público, não podem ser confundidos com aqueles que receberam, sem direitos e em malas, R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), na calada da noite e com subterfúgios dos gangsters.

Perdoando os maledicentes de plantão, o exemplo de transparência dado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso merece ser seguido pelos demais.

O povo, para quem é destinado todos os Poderes da República, precisa saber da verdade real, sobretudo o que ganham e como ganham os seus representantes e os agentes políticos, tudo em painel da transparência, para, com segurança, poder dar a César o que é de César.

Zaid Arbid é advogado

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