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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Saúde

Estado deve R$ 42 milhões em verbas da saúde para 73% dos municípios

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O Estado deve verbas da saúde a 73% dos municípios de Mato Grosso. Os pagamentos em atraso são estimados em R$ 41,9 milhões. É o que aponta a ação civil pública proposta pelo Ministério Público, que requer a regularização dos débitos. Para a promotoria, a falta de critérios e controles sobre os valores repassados causaram o que é classificado pelo promotor autor da ação, Alexandre Guedes, como a maior crise da história da saúde em Mato Grosso. Além da quitação, a ação pretende esclarecer como o governo utiliza os recursos que entram na conta e, em tese, deveriam custear o atendimento nos municípios.

Os valores devidos para cada município ainda passam por um levantamento, mas análise preliminar da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) juntada ao processo aponta que 103 cidades são credoras das verbas em atraso, algumas desde 2010.

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Na opinião do promotor Alexandre Guedes, não há nenhum critério por parte do governo no momento de se fazer os repasses. "Faltam até mecanismos de controle para afirmar o que foi pago e o que não foi. E isso nós queremos saber, porque o dinheiro entrou na conta e saiu. Para onde foi, então?", questiona.

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Além do questionamento, Guedes pretende solicitar o bloqueio e a transferência destes valores para as contas dos municípios. Para isso, aguarda o levantamento total, que aponta o valor e a qual programa se destina o repasse. "São vários programas promovidos pelo governo federal, como o Saúde da Família (PSF), o de Saúde Bucal, entre outros. Toda e qualquer transferência deve ter, determinada, a origem e o destino e isso quem faz é a Justiça, mediante as provas apresentadas".

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No entanto, o promotor não aguardará até que os 103 municípios façam os cálculos. À medida em que os relatórios chegarem ao MP, ele fará os pedidos, priorizando cidades que possuem hospitais, e que acabam sendo os mais afetados com os atrasos no repasse. "Vamos tomar este cuidado para garantir que a população sofra o mínimo possível. Existem municípios que, sem a verba, suspendem o atendimento e atingem toda uma região". O representante do MP lamentou ter que tomar este tipo de atitude. "Não é nosso interesse paralisar o Estado, mas a saúde deve ser sempre uma prioridade".

Guedes cita como exemplos Barra do Garças e Água Boa, que estão com os atendimentos suspensos por conta das dívidas. A dívida com Água Boa passa dos R$ 630 mil. "Além deles, temos a informação de que o hospital de Poconé está sem contrato com o Estado desde agosto. É outro que terá a nossa atenção prioritariamente". O município tem a receber mais de meio milhão de reais.

Entre os municípios, Rondonópolis é o que tem o maior valor a receber, mais de R$ 3,6 milhões. A terceira maior cidade do Estado é seguida por Confresa, com mais de R$ 1,8 milhão, Peixoto de Azevedo, que tem R$ 1,428 milhão a receber e Sinop, credor de R$ 1,244 milhão do total devido.

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