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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Polícia

Seguranças confessam chutes, socos e tortura de vendedor

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Os seguranças do Shopping Goiabeiras confessaram que agrediram o vendedor ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz, 31. O espancamento foi feito por Ednaldo Rodrigues Belo e, principalmente, por Jefferson Luis Lima Medeiros, que continua foragido e promete se entregar na segunda-feira de manhã. Em novos interrogatórios, Ednaldo Belo e Valdenor de Moraes contaram que os primeiros golpes foram feitos por Jefferson Medeiros e que as agressões contra Reginaldo Queiroz tiveram início com a vítima ainda de pé, com socos e pontapés. Em seguida, ao cair, ficou sentando e o vendedor ambulante continuou sendo agredido pelo segurança Medeiros, sendo que os golpes atingiram principalmente a cabeça dele.

Dentro da sala de seguranças do shopping, Moraes apenas assistiu a sessão de espancamento ao trabalhador e, vendo o rapaz implorar "pelo amor de Deus" para que os funcionários cessassem os golpes, pediu para que os colegas parassem, mas apenas Belo atendeu o apelo. Jefferson Medeiros continuou a tortura.

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Também preso desde quinta-feira, o segurança Jorge Dourado Neri, em entrevista informal, porque não houve tempo para que ele fosse interrogado na manhã de ontem, a exemplo dos colegas de trabalho também mudou completamente a versão apresentada anteriormente à delegada Ana Cristina Feldner e admitiu que escutou barulhos dentro da sala de segurança. Durante a tortura contra Reginaldo, Neri permaneceu do lado de fora, vigiando a porta para que ninguém entrasse no local. A delegada informou que a entrevista do suspeito serve apenas como informação, já que por ser informal não será anexada ao inquérito. O tempo de duração da agressão ao vendedor ambulante ainda não foi revelado.

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Os seguranças do Goiabeiras descreveram que Reginaldo foi retirado da sala dos seguranças para ser colocado no contêiner de lixo "impactado", zonzo, com os olhos semiabertos e sem reação, comprovando o que as imagens do circuito interno de televisão já haviam revelado. Do segundo piso, onde fica a sala dos seguranças, até o terceiro subsolo, eles desceram pelo elevador. Do contêiner, o rapaz foi retirado apenas para entrar na viatura da Polícia Militar e ser encaminhado para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) Verdão. Em entrevista, Medeiros justificou que o transporte pelo contêiner foi ideia dele, porque Reginaldo estava envergonhado e não queria sair do local algemado pela Polícia.

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Durante o tempo em que permaneceram na sala, foi solicitada água e gelo, possivelmente para lavar os ferimentos da vítima. A sala onde ocorreu o espancamento ficou completamente ensanguentada e foi lavada por faxineiras do shopping. Apesar da limpeza, a presença de sangue foi confirmada por perícia.

Em depoimento à Polícia Civil, a ascensorista que estava no elevador por onde desceu o contêiner com Reginaldo, detalhou que Ednaldo Belo perguntou a ela se queria "ver o valentão" e neste momento abriu a tampa do carrinho. Ela contou que viu o vendedor "praticamente morto" e que a visão foi tão chocante que ela chegou a passar mal, inclusive vomitando. Imagens do circuito interno de televisão revelam que em cima do corpo de Reginaldo foram jogados sacos de lixo.

Preconceito – Para a família, o motivo das agressões contra Reginaldo Queiroz foi preconceito e discriminação devido a forma simples que estava vestido e um chapéu de palha com abas largas, estilo mexicano, considerada sua marca registrada. Em depoimentos, funcionários revelaram que desde que entrou no Shopping Goiabeiras por volta das 16h30 do sábado (29/08), Reginaldo foi tratado pela equipe de seguranças por QRU, sigla que significa "problema".

O próprio Jefferson Medeiros, em entrevista, confirmou que foram feitas diversas abordagens ao trabalhador, que levava sacolas com vários objetos que costumava comercializar nas ruas da Capital, como porta-latas e apostilas para concursos. Uma das abordagens aconteceu na praça de alimentação do shopping, no momento em que Reginaldo estava sentado ao lado de 2 mulheres, sendo uma senhora e uma moça, que até o momento não foram identificadas pela Polícia. No entanto, a alegação era de que a abordagem teria ocorrido apenas como uma orientação de que dentro do estabelecimento era proibida qualquer tipo de comercialização.

A última e definitiva abordagem ocorreu dentro da loja Beto Esportes, no primeiro piso, onde o rapaz refugiou-se para pedir socorro e chegou a escrever uma carta, denunciando a perseguição e a humilhação sofridas. Às funcionárias, ele pediu para continuar no local até o fechamento do shopping e para ganhar tempo pediu para que fossem feitos orçamentos de vários produtos. Sem que fosse feita qualquer solicitação à equipe de seguranças, Medeiros foi até a porta, onde permaneceu por cerca de 40 minutos. Uma funcionária relatou que o segurança disse a ela para que simulasse uma pane na loja para que ele pudesse entrar. Como negou-se a atender o pedido, ele e Belo entraram na loja e retiraram Reginaldo a força. As imagens de câmeras do corredor confirmam que o rapaz saiu segurado pelos 2 seguranças, um de cada lado.

Do primeiro piso para o segundo, Belo e Medeiros contaram com a ajuda de Jorge Neri e um outro funcionário do shopping para arrastar a vítima pela escada de serviço. Inicialmente, os seguranças disseram que foi durante este percurso, onde não têm câmeras, que Reginaldo teria caído e se machucado. No entanto, o depoimento do quarto rapaz foi fundamental para que esta versão fosse desmentida porque ele garantiu à Polícia que Reginaldo não caiu em nenhum momento.

Investigação – Os 4 seguranças acusados de espancarem Reginaldo vão responder por homicídio triplamente qualificado (tortura, motivo fútil, meios que impossibilitaram defesa da vítima) e furto qualificado, por terem subtraído R$ 1 mil do trabalhador. Para a delegada Ana Cristina Feldner o crime foi doloso (com intenção) tendo em vista que os seguranças possuem conhecimentos de artes marciais e tinham consciência do que os golpes feitos contra a vítima poderiam provocar.

Reginaldo Donnan deu entrada às 21h20 de sábado no Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá vivo e teve morte cerebral na madrugada de domingo. Os aparelhos foram desligados na terça-feira (1/09) e o caso provocou grande comoção social.

Responsabilização – Conforme a delegada, os policiais militares do 10º Batalhão PM, que atenderam a ocorrência no shopping e registraram boletim de ocorrência em que Reginaldo figurou como suspeito de tentativa de homicídio e os seguranças como vítimas, poderão ser responsabilizados no final do inquérito. O comandante-geral da PM, coronel Benedito Campos Filho, informou que foi aberto um procedimento administrativo para apurar a participação dos policiais no caso, inclusive o motivo pelo qual eles entraram na sala de seguranças onde houve o espancamento, fato revelado pelas imagens do circuito de TV e se houve omissão de socorro.

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