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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Polícia

Ostentação social motiva entrada de jovens na criminalidade em Mato Grosso

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"Crime de ostentação" é a principal motivação da entrada de jovens no mundo da criminalidade. A constatação é da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), da Polícia Judiciária Civil, que recebeu até começo de dezembro deste ano, mais de 617 menores em situação de flagrante.

Para o delegado titular da DEA, Paulo Alberto Araújo, muitos dos jovens entram para a criminalidade, como forma de ter status no meio social. Segundo ele, assim como nos funks de ostentação, em que os temas centrais abordados nas músicas referem ao consumismo, carros, motocicletas, bebidas e outros objetos de valor, os adolescentes tem praticado atos infracionais como forma de poder e com objetivo de ostentar o produto do crime.

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As festas marcadas por adolescentes por meio das redes sociais, regadas a álcool e drogas é um bom exemplo de atos de ostentação, caracterizado por uma reunião de jovens. “Além do consumo de álcool e drogas, outras infrações acontecem nessas ocasiões como o abuso sexual de menores, agressões, furtos e roubos. Hoje o adolescente não rouba um carro para fazer dinheiro com as peças, ele rouba para usar e mostrar para os amigos”, explicou o delegado.

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Fato que demonstra isso é que dos 1.565 atos infracionais instaurados na delegacia, os com maiores registro de ocorrência são de envolvimento com drogas, com 424 registros e roubo com 213 ocorrências. Os estupros cometidos por adolescentes vêm em terceiro lugar com 36 casos na delegacia.

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Em setembro deste ano, uma operação da DEA flagrou mais de 30 adolescentes em uma das festas combinadas por meio das redes sociais. A festa acontecia em uma casa, de muros alto, cerca elétrica, portão eletrônico e câmeras de vigilância. Das garotas encontradas na casa, 29 tinham idade de 12 e 17 anos e estavam faltando aula na escola para participar da festa.

Na "batida", autorizada pela 1ª Vara Especializada do Adolescência e Juventude, os policiais apreenderam na festa clandestina mais de 30 litros das bebidas e 8 narguilé, cachimbo de origem árabe usado para fumar, porções de pasta-base, e conduziram à Delegacia quatro responsáveis pela organização do evento teen, além dos adolescentes que se encontravam na casa.

Apesar de a delegacia receber um número alto de menores reincidentes, muitos adolescentes apreendidos este ano são iniciantes na prática de atos infracionais, que começam na criminalidade motivados por algum conhecido.

Para o delegado Paulo Araújo, a linha de enfrentamento das infrações cometidas pelo adolescentes, em princípio, seria o momento em que o infrator chega à Delegacia. Como o número é muito alto é preciso que se faça um trabalho preventivo, em que os alunos possam receber influências positivas tanto entre eles quanto externa.

Para isso o delegado, em parceria com o projeto Rede Digital Pela Paz, ministra palestras para adolescentes de escolas públicas, com o tema “Situação de Risco”, que aborda diferentes assuntos como família, afetividade comunicação, além da apresentação de vídeos e o papo direto com os alunos. “Durante a abordagem dos assuntos, os alunos vão se identificando e se abrindo, podendo chegar até duas horas de conversa, quando permitido pela escola”, disse Paulo Araújo.

Segundo o delegado, no primeiro semestre deste ano, quando não foram realizadas as palestras, o índice de criminalidade dentro de escolas públicas cresceu. No segundo semestre, o circuito de palestra foi retomado e a violência escolar teve redução. “Procuramos demonstrar aos alunos, que a escola é um ambiente para buscar o conhecimento e não para difundir a violência”, destacou.

Em 2013, a DEA recebeu ocorrências de diversas escolas particulares, principalmente relacionada a divulgação indevida de imagens por meio das redes sociais. Em 2014, como forma de prevenção e combate a esse tipo ocorrência, a delegacia reuniu diretores pedagógicos das principais escolas particulares, Defensoria Pública, Promotoria, Vara da Infância e Juventude, Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

A partir de então, foram deliberada ações dentro das escolas, que passaram a ser parceiras do trabalho da Polícia Civil, sendo a delegacia do adolescente imediatamente acionada diante qualquer tipo de infração cometidas dentro de Escolas. “Essa ação diminuiu consideravelmente o número de infrações dentro de Escolas particulares, que teve um 'boom' em 2013 e em 2014 praticamente desapareceu”, concluiu Paulo Araújo.

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