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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Polícia

Crimes virtuais crescem 60% em 1 ano no Estado

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O número de crimes virtuais em Mato Grosso registrou, em 1 ano, aumento de mais de 60%. O crescimento é verificado com maior intensidade no interior do Estado e pode ser explicado pela expansão da internet em municípios menores, aliado com o ingresso de cada vez mais pessoas na rede mundial de computadores. Autoridades e especialistas acreditam que as mudanças na legislação, como a entrada em vigor, nesta terça-feira (2), da Lei "Carolina Dieckmann", que tipifica 3 crimes, são um avanço, mas que ainda há muito o que se caminhar para que seja possível punir com rapidez e eficiência os criminosos. Em Cuiabá, tais crimes também cresceram, pouco mais de 25%.

Delegado responsável pela Gerência Especializada em Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), órgão da Polícia Civil de Mato Grosso, Anderson Veiga explica que a popularização de dispositivos ligados à internet, como o barateamento do preço dos computadores, notebooks, tablets e smartphones, tornou a internet campo fértil para a ação de criminosos. "No mundo exterior, as pessoas conhecem de cor cuidados que devem ser tomados e o mesmo não ocorre no mundo virtual. Tudo ainda é muito novo, se considerarmos que a internet chegou à população há apenas 20 anos".

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Veiga salienta que ainda faltam muitos cuidados primordiais, sobretudo aqueles ligados à intimidade e aos dados pessoais. "Agora é que há uma preocupação por parte de quem usa estes dispositivos de saber como se comportar na rede".

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Das 2.311 ocorrências registradas no ano passado em Mato Grosso, um dado chama a atenção. De cada 10, 4 se referem a apenas 2 crimes, estelionato e ameaça, os mais comuns quando se trata de internet. O estelionato praticado nas redes visa a obtenção de forma fraudulenta de dados pessoais dos clientes para a realização de transferências bancárias e a compra de produtos, também via internet. Neste sentido, a deflagração da operação "Orion", feita em conjunto pela Gecat e pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá (Derf), mostra de forma emblemática como agem este tipo de criminoso.

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Deflagrada em fevereiro do ano passado, a operação desarticulou uma quadrilha acusada de aplicar golpes pela internet que obteve dados bancários de correntistas das 5 regiões do Brasil. Ao todo, 10 pessoas foram presas, duas delas em flagrante, e 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. As investigações apontaram que foram desviados recursos de 165 contas bancárias e 447 tentativas de invasão.

O golpe consistia na criação de uma página falsa, feita com base em uma original do Banco do Brasil, que solicitava a atualização de dados cadastrais. O aplicativo era enviado por e-mail a milhões de pessoas, prática conhecida como pishing. Enganados, os correntistas digitavam os dados bancários, inclusive senhas, na falsa página. Ao terminar o processo, uma mensagem de que os servidores estavam em manutenção aparecia na tela e um link para acesso à verdadeira página do banco aparecia, o que dificultava a percepção da fraude.

Em um golpe semelhante a este caiu a aposentada
M.J.S.M., 69, moradora do interior do Estado. Pensando que teria que se recadastrar junto à Receita Federal do Brasil (RFB), ela digitou em um formulário encaminhado por e-mail todos os seus dados pessoais e bancários. "Parecia tudo tão perfeito que nem desconfiei".
Ao contar para o filho o que havia feito, foi orientada a procurar uma delegacia de Polícia, mas já era tarde. Os criminosos haviam feito um financiamento, compras e sacado dinheiro de sua conta bancária, prejuízo que ela não revela o valor. O delegado-chefe da Gecat esclarece que nenhum órgão público ou instituição financeira faz qualquer contato exclusivamente por e-mail. "Não há notificação, intimação ou recadastramento que seja feito por estes e-mails".

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