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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

VLT vs. BRT: Plebiscito guaxeba

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Era uma vez um governador ladrão, que fez sua confissão pra escapar da prisão entregando os deputados que aliviavam a barra das suas maracutaias. Dentre esses deputados delatados, um chamava mais a atenção do que os demais nos vídeos pela veia humorística ao dizer “ê, Silvio”, e pela agilidade flexível com a qual descia até o chão para buscar os maços de dinheiro que, de tão fartos, não couberam no paletó. O nome dele? Emanuel Pinheiro, atual prefeito de Cuiabá.

Vulgo Nenel era o relator da Comissão de Acompanhamento das Obras da Copa na Assembleia na época em que recebia aquela propina – segundo o ex-governador X9. Portanto, duplamente responsável pela pilhagem que Cuiabá viveu, pois como deputado já tinha o papel de fiscalizar – além da competência específica como o relator das Obras da Copa. Conforme Silval, tamanha incompetência no cumprimento do dever foi paga por incontáveis paletós cheios como aquele.

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Quase uma década depois, além de continuar mais soltinho que arroz de avó pela morosidade da Justiça, a chacota é que a maioria de seus pau-mandados na Câmara aprovou um plebiscito para o povo cuiabano votar se quer terminar a obra do VLT que ele, quando deputado, deixou de fiscalizar em troca de suposta propina maior que o bolso. Será um júri popular pra condenar ou não uma obra de engenharia, fora o custo milionário do plebiscito – meramente consultivo.

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Sim: custará milhões e o voto popular não terá poder impositivo algum, até porque o dinheiro, a obra e a decisão final são estaduais. E por que a Assembleia, então, não propôs o plebiscito? Justamente: até Emanuelzinho deixou de lado os interesses do pai em Brasília pra participar da audiência pública na AL – mas não conseguiu convencer os deputados a aprovarem e partiram para o plano B: acionar os new e old guaxebas do Paletó na Câmara pra aprovar esse sufrágio inútil.

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O que Emanuel quer com essa fogueira de dinheiro público, afinal? Treta e confusão. Com uma cajadada só, pirraça o governador e impede seu desafeto de encerrar a novela que se arrasta a dois governos – Pedro Taques, que tanto usou o VLT de palanque, não resolveu nada enquanto centenas de milhões foram desperdiçados na manutenção de um modal que não leva ninguém a lugar algum. Nesse contexto, não tomar decisão é como esquecer fatura do cartão na gaveta.

Essa capoeira toda não é pura birra do Nenel com Mauro Mendes. Como não pode se reeleger de novo, o prefeito já foi pro tudo ou nada e a briga é calculada pra construir uma narrativa de oposição e ser candidato ao Governo. Se não cavar pra cima em 2022, a outra opção do Paletó é esperar o mandato no Alencastro terminar e passar dois anos sem foro privilegiado até 2026 – mas haja network e parentela na Justiça e no MP pra segurar o rojão da sua coleção de B.O.

E sendo justo, nem todos os vereadores favoráveis ao plebiscito são vendidos – alguns são só inocentes, rasos ou pegam carona em qualquer cavalo populista que passe arriado, como este. O que não muda o fato de terem aprovado um baita desperdício ao erário, feito Cuiabá perder ainda mais tempo nessa indefinição e atestado que o chão de fábrica desse circo é puxadinho dos Pinheiros. E todos não, mas a maioria é vendida sim – quem vestir a carapuça que reclame.

 

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