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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Vivendo por viver

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Hoje, do ocidente ao oriente, do primeiro ao terceiro mundo, não há escapatória: o lema (ou dilema) é mudar o estilo de vida. Em sua crítica a um mundo onde a aparência ganha predominância a essência, Vance Packard questiona o consumo desenfreado como o grande dilema ao desenvolvimento.
Não só a sociedade americana, mas o mundo capitalista atingiu um nível de acriticidade quanto à verdadeira necessidade do “ter”, que já não se pode dimensionar ações efetivas capazes de desacelerar o processo.

Campanhas de conscientização, educação para o consumo consciente, formação profissional com maior rigor ético, tudo é possível, mas ainda há tempo? Uma vez que a tecnologia não é usada para diminuir o consumo, pois mais importante é o lucro. A publicidade e a propaganda atuam em prol de criar no consumidor o desejo incessante de compra. E estudiosos declaram que o consumo no mundo, enquanto cultura ocidental já se tornou uma cultura com raízes profundas e os impactos causados por essa cultura não possui mecanismos de desaceleração. Há espaço nas empresas para uma administração socialmente responsável?

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Se por um lado os profissionais que atuam na produção de bens de consumo o fazem para a sobrevivência, por que não conscientizá-los dos demais problemas ambientais decorrentes das atividades urbanas, rurais e industriais, caracterizados pelos desequilíbrios da exploração excessiva dos recursos naturais, desmatamentos, uso predatório do mar e quebra de cadeias alimentares típicas dos ecossistemas naturais, bem como por problemas pontuais e específicos derivados do emprego de tecnologias produtivas, do uso inconveniente de matérias e energia nos processos industriais e nas comunidades urbanas, gerando os impactos de poluição do ar, da água e do solo.

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O lançamento in natura de esgotos domésticos nos rios, o descarte de resíduos sólidos nas principais cidades, a falta de sistemas adequados de coleta e tratamento de esgotos e dos resíduos e a ausência da consciência no uso dos recursos naturais caracterizam-se como um dos principais problemas ambientais, juntamente com a disposição de lixo urbano a céu aberto nas margens dos rios e lagoas. No Estado de São Paulo, o lançamento de efluentes industriais concentra-se praticamente na capital e nas grandes metrópoles em desenvolvimento ao longo do Estado. Entretanto existem previsões de um aumento de 3% a 7% ao ano de investimentos na área de reciclagem o que representará um mercado em franca ascensão.

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A exploração da água e os constantes ataques ao meio ambiente através da utilização de defensivos e pesticidas que contaminam e poluem o solo, da destruição das matas ciliares e das áreas de mananciais contribui para um risco potencial de poluição e modificação das condições físico-químicas do aqüífero Guarani e conseqüentemente da destruição de uma generosa fonte de água para o sul/sudeste do país e dos países vizinhos.

A redução do volume de água disponível em detrimento ao aumento significativo de seu consumo fará com que haja, a médio e longo prazo, um aumento do investimento nas áreas tecnológicas para a economia ou reciclagem da água.

Quanto à poluição atmosférica, as queimadas e a combustão da palha da cana se apresentam como os principais problemas de emissão de fumaça e material particulado na atmosfera, além obviamente dos gases emitidos pela enorme frota de veículos existente e das indústrias de um modo geral.

Há uma carência de tecnologias e técnicos no desenvolvimento de equipamentos e pessoal para o monitoramento e controle de emissão de poluentes atmosféricos, apesar do aumento significativo de investimentos nos últimos anos neste setor. O que as escolas, universidades e programas de capacitação dentro das empresas tem feito em relação a isso?

Deve ressaltar-se a criação constante de centros industriais, necessitando, portanto, de uma qualificação de recursos humanos para acompanhar esse desenvolvimento de forma a preservar os recursos naturais do Estado. Aliado a este fato, temos o surgimento da série de normas ISO 14000 e 14001, a partir de 1996, e a criação da Lei de Crimes Ambientais editada em 1998 que fizeram com que muitas empresas procurassem com maior interesse profissionais capacitados para gerir e atuar no seu programa de gestão ambiental.

Vance Packard, em sua obra “Estratégia do Desperdício“ consegue despertar nos leitores o senso ético e elevado grau de responsabilidade social para que cada um possa interferir em seu ambiente imediato de acordo com o que lhe é possível mudar. Como nós, administradores poderemos em nossas empresas disseminar a cultura da responsabilidade ética e social?

Ismael Lemes Viera Júnior é administrador de empresas em Sorriso, pós-graduado em docência no ensino superior e especialista pela fundação escola do ministério público de MT e professor universitário.

 

 

O conteúdo aqui publicado é de total responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a posição de Só Notícias

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