Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Opinião

Uma conversa com Delfim Neto e Fritjof Capra

Compartilhe Facebook X Texto

Neste mês de agosto estive com Fritjof Capra, nos Estados Unidos e com Antonio Delfim Neto, em Cuiabá. E, caramba, como o pensamento e as propostas de ambos são divergente! Se por um lado Capra se esforça na construção teórica de um mundo novo, com a quebra de paradigmas, Delfim insiste nos velhos modelos econômicos e de verdades absolutas como condutores de um mundo em transformação.

É claro que Capra, um físico austríaco, autor dos livros “O Ponto de Mutação” e “O Tao da Física” não compreende a linguagem econômica tanto quanto Delfim. O “gordo”, como é chamado o ex-ministro brasileiro, é um profundo conhecedor de economia, sobretudo a linguagem econometrica, mas sua erudição serve muito para lhe gerar respeito acadêmico, não pra mudar a vida das pessoas para melhor. Ou, para ser justo, não para mudar a vida da grande maioria das pessoas para melhor.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Delfim, um personagem fundamental na história econômica e política brasileira nos últimos cinqüenta anos, gosta de criticar a condução de políticas econômicas. Critica todas, exceto a sua própria. Mas, no fundo ele quer, como diz Kleber Lima “mudar o resultado das coisas, fazendo o que fazia antes”, ou seja, para Delfim, o importante é que a propriedade privada seja sempre preservada e valorizada, um “dogma” do capitalismo, e para isso, sua teoria econômica obedece à lógica do capital. E o povo nesta lógica? Ah, o povo é um detalhe.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémO Brasil produz como em 1958

Capra fala em subverter essa ordem. Em sua linguagem, que não pode ser chamada de marxista, tampouco socialista, o povo, assim como o meio ambiente é primordial. Para materializar este conceito, Capra se esforça em discutir teorias que versem sobre um novo ambiente de negócios, aquele chamado de “ganha-ganha”, com os valores vistos de uma forma vertical, ou seja, onde o homem é tão importante quanto a natureza.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250

Delfim, quando é conveniente, insiste na “mão invisível”, ou seja, que o mercado é que deve estabelecer suas regras e que a dinâmica de uma economia não precisa da intervenção estatal. Mas quando a conveniência é outra, ele prega a intervenção estatal, sobretudo para proteger interesses privados. É a dupla seletividade dos discursos de Delfim Neto.

Assim, para Delfim, o Mato Grosso vai crescer, enriquecer e se tornar um grande caso de sucesso. Basta o Estado não atrapalhar. Para Fritjof Capra, Mato Grosso, assim como a Amazônia, precisa ser pensado de forma diferente, com reflexões sobre o limite que o crescimento econômico deve ter para não afetar o meio ambiente e nem para que sirva apenas como uma maquina para produzir e reproduzir desigualdades.

Mauricio Munhoz Ferraz é economista em Mato Grosso

Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Opinião

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé