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sábado, 7 de novembro de 2026
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Opinião

Tratamento alternativo para câncer diminui o tempo de vida do paciente

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A morte do apresentador e jornalista Marcelo Rezende, vítima de um câncer de pâncreas avançado, liga o alerta para quem desiste do tratamento médico para tentar tratamentos alternativos. Após uma única aplicação de quimioterapia (realizada de acordo com protocolos internacionais), Rezende abandonou o tratamento e iniciou uma “terapia alternativa” que tem se difundido bastante recentemente: a dieta cetogênica. Em diversas entrevistas, disse que se sentia bem e que em breve estaria curado. Infelizmente, não foi o que aconteceu.

Sabemos que o câncer de pâncreas é um dos mais agressivos e que geralmente é descoberto já em fase avançada ou quando atingiu outros órgãos. O objetivo do tratamento, nesses casos, é o de prolongar o tempo e a qualidade de vida do paciente. Sem tratamento médico, a sobrevida é de apenas poucos meses, como foi o caso do apresentador (cerca de 4 meses depois do diagnóstico).

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Um estudo, publicado recentemente em periódico do National Cancer Institute, dos EUA, confirma que pacientes que abandonam tratamentos como a quimioterapia para buscar terapias alternativas têm o dobro de chance de morrer ou de ter sua sobrevida reduzida. Em particular, a dieta cetogênica (que restringe quase totalmente os carboidratos da dieta e substitui por gorduras) é extremamente perigosa. Primeiro, é preciso esclarecer que não existe nenhum estudo clínico rigoroso que mostrou qualquer benefício dessa dieta em seres humanos. Todas as referências citadas pelos que defendem a técnica se baseiam em experiências em culturas de células ou camundongos. Segundo, poucos pacientes toleram o rigor da dieta proposta, levando a perda de peso e desnutrição. Por último, e mais perigoso: para fazer a dieta cetogênica, os pacientes são orientados a parar qualquer tratamento convencional.

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Câncer é um diagnóstico que assusta a maioria das pessoas. Ainda mais quando estamos diante de uma doença avançada. Nesta situação, é compreensível que as pessoas busquem outras alternativas, opções, esperança. Infelizmente, nesse momento de desespero e fragilidade, muitas são vítimas dos “vendedores de milagres”. Estes vendem terapias, cápsulas, ervas, livros, palestras… de um tudo, prometendo curar doenças incuráveis. O resultado quase sempre é o mesmo, como observamos com Marcelo Rezende.

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Terapias alternativas são bem vindas quando complementam o tratamento médico. Acupuntura, chás conhecidos, terapia cognitivo-comportamental, reike, pilates, e diversos outros recursos ajudam a aliviar dores e os efeitos colaterais do tratamento. Mas devem ser usados com parcimônia e NUNCA sem conhecimento do seu médico. Cuidado com informações sedutoras encontradas na internet. Busque esclarecimento em fontes seguras, converse com seu médico, procure uma segunda opinião, é seu direito.

Cleberson Queiroz é PhD em Oncologia pela Universidade de Liverpool (Inglaterra) e oncologista da Oncocenter. 

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