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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Smartphone x Crianças

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Não faz muito tempo que a preocupação dos pais era o quanto uma criança ficava na frente da TV. Hoje o acesso irrestrito à internet nos faz pensar se, ao colocar um smartphone na mão de uma criança, ela conseguirá se comunicar e estará segura.

O ritmo da vida moderna impôs um timing cruel às gerações de famílias que tentam criar seus filhos utilizando a tecnologia como ferramenta de monitoramento mais do que de comunicação.

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O tempo livre, que antes era dedicado a passeios no parque, troca de experiências e àquela observação cautelosa dos pais para ver se estávamos fazendo algo errado foi substituído por uma tela azul  brilhante.

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Especialistas no tema alertam sobre os riscos do uso desses aparelhos por bebês e crianças cada vez mais jovens. Mas, afinal, qual a idade certa para uma criança ter um smartphone?

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A sociedade canadense de pediatria aconselha que menores de 12 anos não possuam aparelhos com acesso a internet, e recomenda que a exposição à internet não passe de 3 horas diárias.

O assunto é pra lá de polêmico, já que, à medida que as crianças começam a ter em suas mãos um celular com idades que variam de 5 e 10 anos, defendem o uso deliberado do aparelho em busca de respaldo.

E antes que você me diga que seu filho é maduro o suficiente para ter um smartphone aos 10 anos, é bom lembrar que o córtex pré-frontal, parte do cérebro que controla o impulso, só está totalmente desenvolvido aos 20 anos.

Lógico que não estamos falando de criar um E.T. que não possa usar a internet porque seus pais o proíbem, e sim o texto pretende uma reflexão. Será que seu filho está seguro?

Se falarmos de saúde, a exposição massiva às telas brilhantes pode causar atraso no desenvolvimento da criança, alterações no sono, déficit de atenção, e até vício infantil.

Outro fator a se preocupar é a comunicação, pois, mesmo que seus filhos sejam hiperconectados, muitos sequer sabem ter uma conversa cara a cara. Há necessidade de interagir mais com pessoas do que com a tecnologia, e, se isso começa desde cedo, podemos ter adultos emocionalmente despreparados para uma comunicação em ambiente que não seja digitalizado.

A constante exposição das crianças à tecnologia móvel as torna vulneráveis, sujeitas a serem expostas a abusos. E, antes que você me diga que seu filho é uma criança independente para a sua idade, lembre-se estamos aptos a dirigir somente aos 16 anos, e não quando desejamos ter acesso à chave do carro.

Sem dúvidas a tecnologia traz benefícios às crianças, que têm acesso à informação em tempo real, aplicativos, jogos e conexão com os amigos. Mas também são responsáveis por expor nossos pequenos a problemas que eles ainda não têm discernimento para compreender.

Ao dar um smartphone para uma criança, lembre-se de que a idade não é tão importante quanto a responsabilidade dela sobre o uso do aparelho. Use o bom senso.

Maria Augusta Ribeiro – profissional da informação, especialista em Netnografia,

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