Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Opinião

“Rolezaum” é o fim do mundo ?

Compartilhe Facebook X Texto

Nos dias recentes chama bastante a atenção para o fenômeno – espetaculoso para alguns – bastante normal para outros, dos chamados “rolezinhos”, reunião festiva de adolescentes da periferia (e da nova classe média) para, ao mesmo tempo divertir-se, e chamar a atenção para as diferenças e a discriminação (forma alegre de protesto).

O problema é que a tendência de criminalizar os movimentos sociais se manifestou rapidamente, com a reação odiosa de setores desinformados, e inclusive a prolação de algumas decisões judiciais absurdas, com indisfarçado desejo de inibir o direito de ir e vir, e da livre manifestação (ambos garantias individuais, cláusulas pétreas da Constituição Federal). Mas eis que duas manifestações jurídicas das mais qualificadas (pontos dentro da curva), de Luis Flávio Gomes (jurista e professor) e do Juiz Yale Sabo Mendes (magistrado mato-grossense) nos deram a esperança de que as trevas não vão imperar.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Que bom que há Juízes!

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémO Brasil produz como em 1958

Há coisa de alguns dias, numa tarde de grande movimento num dos shoppings de Cuiabá, um coletivo desorganizado de jovens e adolescentes foi apreendido, e a justificação policial foi de que eles estariam fazendo baderna e promovendo “quebra-quebra”, efetuando disparos de arma de fogo, pondo em risco a vida de terceiros. Passado o impacto do medo inicial descobriu-se que não havia nenhum “rolezeiro” com antecedentes criminais e nenhuma arma de fogo com eles foi encontrada. Aliás, não houve nenhuma vítima identificada dos “rolezeiros”! Nem uma vidraça quebrada ou uma loja assaltada.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250

Para entender os fatos, nos inspiram Yale e Luis Flávio.

Assim falou Yale Sabo Mendes, em brilhante decisão judicial que afastou a censura prévia ao direito de locomoção dos jovens cuiabanos: “vivemos em um Estado Democrático de Direito, princípio adotado como fundamental da nossa sociedade, e que tem a particularidade de emprestar respeito às ações individuais e coletivas legítimas e de proteger toda e qualquer manifestação do pensamento que venha ser feita, porque, só assim, poderá ser assegurado o direito de igualdade, de ir e vir, dentre outros instituídos em nossa Carta Magna”. E arrematou, mostrando entender o “ethos” que move os jovens manifestantes: “buscam dar um basta no ‘apartheid brasileiro’, que ao meu sentir em nada se difere das recentes e grandiosas manifestações que também ocorreram no ano passado em todo o país, inclusive nas principais avenidas de nossa Capital, onde se registrou ‘quebra-quebras’, tumultos, algazarra, e nem por isso foram alvo de qualquer proibição pelo Judiciário”.

E o complemento vem com a lição de Luis Flávio Gomes: “O que parecia uma simples brincadeira de jovens marginalizados da periferia (uma simples farra para ‘catar umas minas’ e encontrar uns ‘parças’ – parceiros) já está se convertendo numa grande manifestação nacional. Recordemos: nenhum incêndio começa grande. A onda dos ‘rolezinhos’, em pleno verão quente, está pegando forte em todo país.

E assim será por longo período, porque a conta, do Brasil extremamente injusto e institucionalmente degenerado, está chegando. Nenhuma dor ou sofrimento dura eternamente. O processo de abolição da escravatura ainda não terminou. Acendeu a luz amarela do palácio do Planalto, que já pressentiu que as ondinhas da periferia podem se transformar num grande maremoto.”.

Por fim, é de se memorizar que os recursos naturais da Terra (Gaia, Pacha Mama) caminham para a exaustão e mesmo assim os bens e serviços (oferecidos pelo capitalismo a preços imódicos) não beneficiam a todos. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os 20% mais ricos do mundo consomem cerca de 82,4 por cento das riquezas, enquanto que os 20% mais pobres (um bilhão e meio de almas) se contentam com 1,6 por cento das riquezas produzidas. Se todas as pessoas do mundo tivessem o padrão de consumo do cidadão norte-americano (alimentos, bebidas e roupas) seriam necessários três planetas iguais à Terra para satisfazer a demanda.

O Capitalismo falhou, e feio!

Há um único país do mundo em que “Felicidade Interna Bruta” é política de Estado, e se sobrepõe ao produto interno bruto (PIB) para medir o grau de riqueza, satisfação e felicidade de sua população. Falamos do Reinado de Butão, localizado nas encostas do Himalaia, espremido entre China, Índia e Tibet. Governados por um rei e um monge, Butão tem características que o fazem único. Nas famílias, tanto o poder matriarcal quanto o patriarcal convivem de modo harmonioso. A receita financeira é gerada pela agricultura e também pela energia que vende à Índia, e com isso oferece educação e saúde de qualidade ao povo, e o país simplesmente não tem corrupção. Instituiu o índice de felicidade interna bruta, que mede o grau de satisfação de seu povo com as políticas públicas.

O rolezinho é alerta!

É hora de mudança de hábito, de promover inclusão, de exceder na distribuição de afeto e de manifestar imoderadamente a solidariedade, seja com o irmão, seja com a natureza, ou mesmo com pessoas que não vemos com frequência ou com quem nunca vamos conviver. A persistir essa voracidade no agir, a competição desenfreada por lucro e satisfação do ego e a deliberada discriminação (apartheid), o quadro que nos espera é por demais sombrio.

O que fazer? Os dois juristas antes mencionados e suas ideias, mais o exemplo que vem do minúsculo Butão, talvez sejam o ponto de partida para reflexão sobre as mudanças necessárias.

 
Vilson Nery e Antonio Cavalcante Filho são ativistas do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral).

 

Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Opinião

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé