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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Renúncia fiscal e concorrência desleal

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Em princípio todo e qualquer sistema fiscal e tributário deve  primar pelos princípios da justiça, da equidade e da capacidade contributiva. Todas as vezes que o Estado, através de políticas públicas, decisões aleatórias ou casuismos favorece um determinado setor ou grupo empresarial , pouco importa a justificativa, acaba criando privilégios para tais setores beneficiados e estimulando  uma situação de concorrência desleal, pois os setores  que não são beneficiandos com  a renúncia fiscal arcam com custos de produção muito mais elevados. Geralmente as  justificativas que o Estado e governos usam  podem  estar vinculadas `a idéia de criação de postos de trabalho, `a localização de empreendimento que possam estimular o crescimento econômico e redução das desigualdades regionais ou setoriais ou estimular as exportações ou reduzir os custos de importaçãou ou o barateamento de preços ao consumidor e assim por diante.

Através da renúncia fiscal o Estado abre mão de arrecadar parte  da tributação  a que tem direito e.  em troca, o setor  favorecido deve utilizar para criar empregos, investir  um montante além do que deveria recolher aos cofres públicos, a reduzir os preços dos produtos e serviços ao consumidor e também a reinvestir seus  lucros (na suposição de que os empreendimentos favorecidos terão lucro) por um determinado periodo.  Muitas vezes o setor ou empreendimento beneficiando além da renúncia fiscal por parte de um Ente governamental, digamos do Governo Federal,  também acaba recebendo “incentivos fiscais”  que é outra denominação da renúncia fiscal , por parte dos demais entes públicos como os estados e os municípios ou até  mesmo com incentivos indiretos via taxas de juros subsidiados e linhas de créditos de bancos públicos. Outo reflexo dessas  políticas de”inventivos fiscais” é o aumento da acumulação de capital, através da redução dos custos de produção e das taxas de lucros, já que esta última é determinada pelos diversos fatores de produção, onde o recolhimento de impostos, taxas e contribuições entram no cálculo dos custos de podução e das taxas de lucro da empresa.

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Um lado pouco conhecido ou um tanto obscuro é a relação entre renúncia fiscal e doações desses setores beneficiados  para as campanhas políticas, geralmente a políticos e partidos que estão nos respectivos governos, uma espécie de “toma lá e dá cá” ou do adágio de que “é dando que se recebe”.
Só para que o leitor possa ter uma idéia do que representa a renúncia fiscal ou o que é denominado de gastos tributários, por parte do Governo Federal, entre 1998 e 2014, deverá ter deixado de recolher 1.241,8 trilhões de reais, de um total de arrecadação que no mesmo periodo deverá atingir 6.605,5 trilhões de reais.

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Os percentuais de renúncia fiscal em relação `a arrecadação anual tem variado de um mínimo de 8,4% em 2004 a um máximo de 20,7% em 2014, segundo informações contidas nos anexos da LOA (Lei Orçamentária Annual) aprovada pelo Congresso relativa a 2014.
A evolução por períodos de governo  demonstram que cada vez mais a União tem favorecido alguns setores com valores bilionários, cujos resultados demandam uma análise mais aprofundada em termos de custos e benefícios dessa renúncia fiscal.
Durante o segundo governo FHC o total de renúncia fiscal por parte da União foi de 75,8 bilhões de reais ou 12,0% da receita arrecadada; no primeiro governo Lula  o total passou para 121,0 bilhões  de reais ou  10,5% da arrecadação; no segundo governo Lula o total passou para 344,7 bilhoões ou  ou 17,1% e no  governo Dilma o total de renúncia fiscal deverá chegar a 681,9 bilhões ou 20,1%. Ante a inexistência de qualquer estudo que realmente aponte se este imenso volume de tributação que o Governo Federal tem deixado de arrecadar corresponde aos benefícios propalados  pelos governos de plantão e ante aos baixos níveis de investimentos em setores importantes como infraestrutura, saúde, educacão,  segurança pública, meio ambiente , desenvolvimento urbano, para mencionar apenas alguns poucos, fica difícil para a população entender quem realmente são esses grupos beneficiados e privilegiados.

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 Se ao volume de renúncia  fiscal da União somarmos o que estados e municípios também deixam de arrecadar com tais políticas muitas  vezes ineficientes e equivocadas em termos de equipade e justiça  fiscal, podemos agregar pelo menos mais 30% dos valores referidos.
Oportunamente apresentaremos alguns dados sobre sonegação e corrupção como outros mecanismos de acumulação de capital e exclusão econômica e social, tudo via ação ou omissão dos diversos níveis de governo.

Juacy da Silva, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia

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