Que filhos vamos deixar para o mundo de amanhã ?
A humanidade está passando por uma séria crise de valores, impressionante, quase estarrecedora. Meu parecer é que estamos retrocedendo a história evolutiva e voltando na idade da pedra. Ficamos perplexos ao tomar conhecimento no dia-a-dia, pelo noticiário da imprensa falada e escrita, sobre jovens que cometem sérios crimes , por motivos torpes ou por puro prazer. Não vamos aqui citar as barbarias acompanhadas pelos jornais. Esse tipo de comportamento não deve ser encarado apenas como um arroubo consentido e sim como um perigo para a nossa realidade social.
Que filhos vamos deixar para o mundo de amanhã? Não vamos muito longe mas aqui mesmo na nossa cidade, chegamos aponto a ponto de sermos prisioneiros em nossas próprias casas, tal é o descalabro a que chegamos. São assassinatos, roubos, desamor e desrespeito.E o que mais me impressiona é que os autores da violência são jovens. E, não venham com desculpas simplistas, que a grande causa de todas estas mazelas é a pobreza, embora isso tenha seu peso, todos sabemos. Mas a verdadeira pobreza, a maior, é outra, a miséria moral em que chegou nossa nação. Muitos desses jovens são oriundos de famílias de bem. Mas que por razões do capitalismo terceirizaram a educação de seus filhos, entregando a babás, ou mesmo a (babás eletrônicas) a televisão sem controle, deixando que má formação educacional infiltrar na educação de seu filho, e depois lamentam que não foi assim que educaram… Os pais preocupam muito em ter filhos ditos normais quando nascem, mas esquecemos que esse filho, (dito normal), para conviver numa sociedade, como ser normal, precisa ser adequado aos padrões normais da sociedade. Ai vem o papel dos pais com seus filhos. As pessoas honestas que trabalham, muitas delas, apenas pela sobrevivência, não roubam e muito menos matam. Por que será? Sabemos que o animal nasce feito e o ser humano nasce inacabado. Por isso o ponto pacífico que a educação deve ser cultivada desde o berço, pois é em pequenino que se molda o caráter. Não é na universidade que se aprende a ser educado. Ali, poder-se-á aprender muita coisa de ciência, conhecimentos que enriquecem o intelecto, mas não se aprende a ser bom e nem educado e, muitas vezes, pela acirrada competitividade as pessoas aprendem também a ser egoístas, a ser más. Que não condiz com os padrões da família. Depois eles mesmos não reconhecem os filhos que puseram no mundo. Se uma pessoa que não teve uma boa educação na família, dificilmente poderá ser uma pessoa do bem, um ser humano íntegro. É no lar, numa família de bons princípios, bem estruturada, que começa o longo aprendizado para a vida. Aprender a se respeitar, para saber respeitar ao outro, saber onde acabam os seus direitos e começam os direitos dos outros. Precisamos resgatar os valores morais da família, valores que tiveram a concepção deturpada pois é na família que se aprender os direitos e deveres. A família precisa de amor pois só o amor faz compreender as diferenças sociais.
O jovem passa fome; fome de afeto. O jovem está doente, doente de desamor. Quando o amor, o respeito e a dignidade fazer valer na nossa sociedade, teremos jovens humanos e sadios. Capaz de mudar a humanidade, transformando esse mundo no mundo que todos sonhamos.
Alcidia Pavan é professora em Sinop




