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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

O tempo da ciência

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No último mês, muitas notícias foram divulgadas na imprensa sobre as pesquisas da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, que desenvolveu a polilaminina, uma proteína que, conforme as pesquisas, possui potencial para recuperar movimentos em pessoas com lesão medular. O trabalho é resultado de décadas de pesquisa, e este será o tema deste texto: o tempo necessário para realizar uma descoberta científica.

As grandes descobertas científicas, em geral, demoraram décadas de estudo. Darwin, por exemplo, realizou uma expedição entre 1831 e 1836, a bordo do navio HMS Beagle, durante a qual visitou diferentes lugares no planeta. Somente em 1859, Darwin publicou o livro A Origem das Espécies, que apresentou ao mundo a teoria da evolução. Muitas outras descobertas, como a teoria da relatividade de Albert Einstein, também demandaram muitos anos de estudo.

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Uma pesquisa científica demanda tempo, às vezes com abordagens multidisciplinares, envolvendo diversos pesquisadores. Dependendo da área, o desenvolvimento de testes e experimentos pode demandar mais alguns anos ou décadas. Durante esse longo ciclo, é fundamental que a estrutura da pesquisa seja mantida, e isso exige investimentos contínuos.

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As universidades, embora haja parte da sociedade que acredite que seu único papel seja formar pessoas, também têm, desde os primórdios, a função de desenvolver pesquisas que movem e transformam o mundo. Instituições de pesquisa e empresas também possuem papel importante no desenvolvimento de pesquisas, produtos e patentes, que igualmente demandam muito trabalho de pesquisadores. O sucesso de empresas como a BYD está diretamente ligado aos mais de 122 mil profissionais de pesquisa e desenvolvimento, responsáveis pelo registro de mais de 59 mil patentes.

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O desenvolvimento de novas tecnologias, em Mato Grosso e no Brasil, demanda investimentos contínuos como política de Estado, direcionados a universidades e centros de pesquisa. Além disso, também é preciso que empresas valorizem os profissionais altamente qualificados, em nível de mestrado e doutorado, e que criem programas de pesquisa e desenvolvimento em suas áreas de atuação, assim como a BYD fez.

Outros países, como a China e a Índia, conseguiram criar políticas de Estado em muitos setores relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento, como, por exemplo, no setor espacial. Enquanto o programa espacial brasileiro acabou estagnado, esses dois países continuaram, por décadas, os investimentos e, hoje, possuem capacidade de lançar satélites, sondas e muito mais.

Descobertas como a da Dra. Tatiana são importantes para demonstrar a função das universidades e dos pesquisadores. Porém, poderíamos ter muitos outros avanços científicos relevantes para todos nós, caso o país fortalecesse as políticas públicas de pesquisa e desenvolvimento. Investir em ciência é investir em um futuro melhor para todos nós.

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