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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

O sol de Mato Grosso

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Mato Grosso por muitos anos viveu da riqueza de seu subsolo. Hoje, Mato Grosso enriquece o Brasil com a fartura da produção do seu solo. Mas Mato Grosso ainda tem uma enorme riqueza, quase inexplorada: a fartura do seu sol.

Com seu enorme território, situado nas regiões tropical e equatorial,Mato Grosso está sujeito a uma exposição à radiação solar bastante superior à de muitos países, como a Alemanha. No entanto, o país dos campeões mundiais de futebol, com menos da metade do território mato-grossense e submetido ao clima frio e nublado da Europa setentrional, tem 10% de sua demanda energética suprida pelo sol, enquanto nós ainda queimamos carvão, gás e derivados de petróleo.

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A incidência do sol em nossas terras representa um potencial gerador equivalente a várias Itaipus ou Belo Montes, com inúmeras vantagens, começando pelo muito menor impacto sobre os ecossistemas, bem como a redução da emissão de gazes do efeito-estufa.

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Além disso, a geração solar é descentralizada, reunindo dezenas de milhares de unidades, desde residências e microempresas a indústrias e prédios governamentais. A produção descentralizada de energia solar distribui riqueza, pois pode gerar autossuficiência ou redução de custos para escolas, hospitais, conjuntos habitacionais, propriedades rurais, resorts de ecoturismo etc.

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Ademais, os setores de energia limpa e associados à produção sustentável são os de maior dinamismo e geração de empregos na economia mundial. É acelerado o processo de inovação e desenvolvimento tecnológico associado a essa cadeia produtiva, gerando sucessivos ganhos de produtividade e redução de custos finais.

Diversas iniciativas têm sido adotadas para aproveitar nosso potencial de energia solar. Há poucos dias, o Sebrae inaugurou em Cuiabá duas micro usinas com painéis fotovoltaicos instalados no telhado de seus estacionamentos. O Tribunal de Contas contratou projeto para instalar uma usina na sua sede. O governo do Estado isentou o pagamento de ICMS incidente sobre a autogeração de energia solar ou eólica. São passos importantes.

Todavia, ainda há um longo caminho a percorrer, inclusive copiando exemplos bem sucedidos, como na iluminação pública e de rodovias. No Rio de Janeiro, os 73 km do Arco Metropolitano contam com 4.320 postes de iluminação equipados com placas fotovoltaicas. A irradiação solar captada durante o dia é armazenada em baterias que alimentam as lâmpadas à noite. Para as prefeituras, é uma extraordinária economia potencial, inclusive viabilizando a redução da contribuição da iluminação pública cobrada junto com o IPTU. Os projetos de novas rodovias ou de concessões dos serviços de iluminação devem considerar a utilização desses painéis.

Os maiores obstáculos à disseminação da energia solar são os interesses das grandes empreiteiras e de seus representantes políticos e burocráticos. A eles interessa que a prioridade governamental seja dada às obras de grandes usinas como Belo Monte, que permitem superfaturamentos bilionários.

Como a operação Lava-Jato está demonstrando, na última década foi o cartel das empreiteiras que determinou a política energética do país. Se uma fração dos muitos bilhões surrupiados nas obras de hidrelétricas e refinarias fosse aplicada na geração solar, teríamos resultados bem melhores, tanto econômicos como ambientais.

Há inúmeras propostas de medidas para estimular a geração da energia solar no país, como a autorização para o uso do FGTS na aquisição de equipamentos de geração para micro e miniprodutores ou a criação de linhas de crédito específicas no BNDES e outras instituições de crédito no apoio ao estabelecimento de indústrias de equipamentos para sistemas fotovoltaicos. É preciso que os raios fúlgidos do sol atinjam Brasília e despertem governantes e legisladores.

Para o poeta Manoel de Barros, o sol é quem tira a roupa da manhã e acende o mar. Para o Mato Grosso do século XXI, o sol vai acender o futuro, alimentar o progresso e iluminar os caminhos.

Luiz Henrique Lima – auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT – Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.

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