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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

O dilema da Dilma

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Por tudo o quanto se tem dito e feito, não resta dúvida: a Dilma será candidata à reeleição.
Inflação em alta (6,59% em março de 2013) com baixo crescimento econômico (0,9% PIB em 2012) derruba qualquer discurso. Se as oposições souberem explorar as inconsistências do sistema terão um discurso bastante contundente.
Os sintomas do sistema econômico se comunicam e se integram. E para o caso em questão, inflação alta e baixo crescimento, a adoção de qualquer remédio para combater um dos sintomas provocará efeitos colaterais no outro.
O dilema da Dilma está em decidir por manter a alta popularidade atual, esperando que traduza em votos nas próximas eleições, mesmo correndo o risco de a situação econômica se agravar e colocar em risco sua reeleição, ou aplicar, de imediato, os remédios indicados pela ortodoxia econômica, ainda que isso lhe traga algum desgaste popular de imediato.

Inflação é um fenômeno que decorre de um desequilíbrio do sistema econômico. No caso brasileiro observa-se que existe excesso de demanda, ou seja, muito dinheiro em circulação, que está forçando um aumento generalizado dos preços. Há excesso de moeda em circulação, isso é fato. Três motivos: aumentos do salário mínimo acima da capacidade produtiva, excesso de gastos federais não produtivos e excesso de crédito, com parcelas a perder de vista.
A demanda pelo consumo de bens e serviços tem crescido a uma velocidade superior ao crescimento da oferta, o que resulta em excesso de demanda. Vale dizer, a capacidade produtiva do Brasil não consegue acompanhar tanta moeda em circulação.

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É preciso, pois, diminuir o excesso de moeda em circulação e o único remédio, preconizado pela ortodoxia econômica, e com resultado comprovados, é o controle da liquidez do sistema, através da administração das taxas de juros. O efeito colateral dessa medida é a redução no crescimento econômico, que já está baixo.
Ao invés de combater a inflação, com os remédios adequados, o governo pode optar por continuar a fazer o que tem feito, combatendo os efeitos e não as causas, através de uma política de rendas, com os resultados pífios apresentados até agora.

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A desoneração dos tributos da cesta básica, a retirada da CIDE dos combustíveis, a redução das tarifas de energia elétrica, a manutenção da redução do IPI dos carros, a prorrogação dos aumentos dos combustíveis, etc., que se pretendia impedir um aumento nos preços, têm atuado na contramão dos fatos, ou seja, têm servido como estímulo ao consumo.

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Essas medidas populistas são meros paliativos. Permite uma convivência com a doença, mas sem curá-la. A economia não reage, não cresce, não se sustenta, mas a inflação também não explode. E assim vai se chegando até as eleições sem muitas marolas, sem muitos prejuízos para a almejada popularidade da presidente, prioridade absoluta do governo.
Passadas as eleições, prepara o couro, porque a chibata virá com certeza. O governo não terá outra saída senão tomar medidas duras e necessárias para combater a crise que os sintomas estão anunciando.

Waldir Serafim é economista em Mato Grosso
[email protected]

 

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