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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Muita informação, pouco conhecimento 

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Dia desses, liguei a TV e fui trocando de canal, sem muita expectativa. Em um canal de pouca audiência, surgiu o rosto de um cidadão que admiro, ele é professor, médico, autor premiado, best-seller, com obras que viraram filme e traduzidas para dezenas de idiomas e, agora, pré-candidato à Presidência do Brasil.

Era Augusto Cury. E, embora a entrevista pouco tenha explorado sua pretensão política, ficou claro que o centro da conversa era outro: o comportamento humano, as vaidades contemporâneas e, sobretudo, o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes em plena era das telas.

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Cury insistiu em um ponto que me parece incontornável, o de que os jovens de hoje recebem mais informação do que qualquer geração anterior. O problema é que informação não é conhecimento, ademais, as estatísticas afirmam que pela primeira vez, em mais de um século, a geração atual vem apresentando o quociente de inteligência inferior à de seus pais.

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E, pior ainda, muitos deles não percebem essa diferença. Vivem cercados de conteúdo, mas não adquirem conhecimento. Acumulam dados, mas não amadurecem intelectualmente. E isso deveria preocupar qualquer pessoa minimamente sensata.

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Para pais como eu, que têm filhos na pré-adolescência ou adolescência, essa realidade salta aos olhos. Investimos fortunas em boas escolas, cursos extras, reforço escolar, materiais e tecnologias. Ainda assim, o que se vê, muitas vezes, é uma relação cada vez mais fria com o esforço dos pais e cada vez mais superficial com o próprio ato de aprender.

Não se trata apenas de ingratidão. Trata-se de uma cultura que banalizou o conhecimento e exaltou o imediato. Muitos adolescentes já não atribuem valor à disciplina, à paciência e ao esforço continuado. Querem respostas rápidas, validação constante e aprovação em forma de curtida, likes. É a lógica da modinha substituindo a lógica da formação.

Recentemente, presenciei uma cena emblemática, uma mãe orientando a filha adolescente a “dar um Google” para resolver uma dúvida escolar. A jovem, em vez de digitar, ditou a pergunta ao smartphone. O episódio é revelador, pois não se trata apenas de preguiça para digitar, mas de uma relação com o saber moldada pelo atalho, pela conveniência e pela ausência de paciência para pensar, que por certo gera o imediatismo.

A Teoria da Inteligência Multifocal, criada por Cury, mostra que a mente pode, e deve, ser treinada para dominar impulsos e construir pensamento crítico. Se essa abordagem fosse incorporada à educação, talvez tivéssemos jovens mais resilientes, empáticos e capazes de transformar informação em sabedoria (conhecimento).

Mas não podemos ignorar o papel do sistema educacional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, embora tenha avançado em garantias formais, falhou em assegurar qualidade real e igualdade efetiva.

Em muitos casos, a escola se tornou um espaço de passagem automática, sem reprovação, onde o estudante avança sem esforço real, sem desafios e, sobretudo, sem a percepção de que aprender exige disciplina. Quando o sistema educacional ensina que o mínimo é suficiente, o resultado é o desinteresse generalizado com a “meninada” batendo no peito e dizendo que é “proibido” reprovar de ano na escola.

É nesse ponto que a Teoria de Heckman se torna indispensável. Ela defende que o verdadeiro capital humano é construído na primeira infância, por meio do estímulo não apenas ao conteúdo acadêmico, mas ao autocontrole, à sociabilidade e às competências socioemocionais.

Portanto, se quisermos formar cidadãos capazes de resistir ao imediatismo das telas, das vaidades digitais e ao descaso com a escola precisamos investir sobremaneira na base e não apenas no discurso.

A crise da formação dos nossos jovens não é um detalhe passageiro. É o reflexo de uma sociedade que confunde informação com conhecimento e conveniência com inteligência. Se não mudarmos a base, seguiremos produzindo adolescentes com muita informação, mas incapazes de pensar.

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