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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Moreno, vá em paz !

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A morte do jornalista Jorge Bastos Moreno foi um fato que fez o país lamentar. Sem dúvidas, a imprensa nacional perde um dos seus grandes nomes. Meritoriamente Jorge Bastos também entra na lista dos notórios mato-grossenses que ajudaram a transformar o país por meio do uso exemplar da imprensa, em nome da democracia. 

Jorge Bastos nasceu em Cuiabá (MT) em 1955 e morreu aos 62 anos, no Rio de Janeiro. Sua carreira foi pautada pelos furos de reportagem que sempre mobilizaram o cenário nacional. Bastos tinha o perfil investigativo, típico de um bom jornalista que conquistava a confiança das fontes e que era incapaz de divulgar qualquer informação que não fosse para obedecer ao critério do interesse público. 

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As notícias apuradas por Jorge Bastos marcaram história, como na sucessão do general Ernesto Geisel pelo general João Figueiredo, durante o regime militar. Ou quando revelou fatos que impulsionaram o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992. 

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A notória convicção por produzir um material que fosse consistente e de valor à sociedade fez com que Bastos vencesse um dos principais prêmios da comunicação brasileira, o Prêmio Esso de Informação Econômica, em 1999. O prêmio reconheceu a notícia sobre a queda de Gustavo Franco da presidência do Banco Central, o que levou a uma desvalorização do real. 
Em março deste ano, Jorge Bastos passou a comandar um programa na rádio CBN, o talk show Moreno no Rádio. No Canal Brasil, Bastos também era âncora do programa Preto no Branco e sempre tecia seus comentários inteligentes e profundos nos programas da GloboNews. 

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Jornalista, articulista, apresentador, escritor, Bastos deixará a lembrança da generosidade que trazia em suas relações pessoais e a grandeza de um profissional que marcou sua geração. 

Muito obrigado Jorge Bastos Moreno por ter cumprido bem tua missão e por ter agraciado o Brasil com um trabalho exemplar e fiel aos princípios e valores que sempre carregou consigo. Aos familiares e amigos, minhas condolências e total solidariedade ao luto. 

Finalizo recordando um poema de Mia Couto que expressa bem o sentimento que a morte provoca em nós, quando perdemos alguém tão querido como Jorge Bastos: “morre-se nada, quando chega a vez. É só solavanco na estrada por onde já não vamos. Morre-se tudo, quando não é o justo momento. E não é nunca esse momento”.

Nilson Leitão é deputado federal por Mato Grosso e presidente regional do PSDB/MT
 

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