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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Medicamentos vencidos: Prefeitura não “autorizou” o flagrante

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A esposa invade o motel e pega o marido no ato, pulando a cerca. Qual o argumento do infiel? Que a mulher perdeu a razão ao invadir, pois forçou a porta do quarto para descobrir o chifre. Não tem pé e nem cabeça masfoi o que a Prefeitura de Cuiabá fez após ser pega no flagra com milhões em medicamentos vencidos: argumentaram que os vereadores encontraram aquelas montanhas homicidas de desperdício invadindo o galpão, sem aviso prévio e nem autorização.

Por mais bocó que seja o cabra safado, ele não seria pego de calça arriada se soubesse quando sua esposa iria aparecer. Os vereadores só encontraram o que encontraram, porque fizeram o que foram eleitos para fazer: fiscalizar! Ou você acredita que o prefeito iria usar os 30 milhões que investe em publicidade todo mês para divulgar ele mesmo à sociedade que deixou vencer remédios que custam mais de R$ 20 mil a unidade e faltam nas UTI’s do Covid no Brasil inteiro? Ah, tá.

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Esses medicamentos foram comprados já próximo do fim da validade? Foram adquiridos novos lotes antes do vencimento? Faltaram nas unidades de saúde enquanto estavam esquecidos no estoque? Difícil saber: quem tem esse controle é exatamente quem está sendo investigado – e se até quem dá golpinho no cônjuge apaga os rastros do celular, se tem maracutaia nesse caso quem fez não vai deixar as provas no Excel pra ir preso fácil. Galera é mala, mas não é maluca.

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Estou dizendo que tem rolo? Não: quem vai dizer se tem é a Polícia Civil, que já abriu inquérito para investigar o caso – e não existe operação com aviso prévio nem autorização da Prefeitura. Além da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, a questão deve ser encaminhada ao Ministério Público, Tribunal de Contas e outros órgãos de controle pela Maysa Leão, T. Coronel Paccola e Diego Guimarães, vereadores do meu partido que flagraram esse descaso com vidas.

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O fato é: quando a esmola é grande, o santo desconfia. Tamanha incompetência gerencial, se é só isso mesmo, tem consequências óbvias: os medicamentos vencidos precisam ser repostos, e se o nosso dinheiro será gasto novamente pra comprar, alguém está vendendo. Há inteligência nos semáforos da nossa cidade? Pois muitos deles foram substituídos a peso de ouro com esse fundamento. E quanto mais específico o objeto licitado, mais fácil é para direcionar a licitação.

Exemplos como o semáforo não faltam na gestão do paletó – em especial, na Saúde municipal: dois secretários de Emanuel na pasta já foram afastados pela Justiça, e um foi preso. Ambos os afastamentos foram justamente por supostamente superfaturar licitações; até de ivermectina! Então histórico, tem. Depois de pegar o marido no motel com outra mais de uma vez, a esposa deveria acreditar no malandro pelado dizendo “não é o que você está pensando”? Cai quem quer.

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