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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Lições de vida

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Quantas vezes recusamos receber uma ajuda só porque a pessoa que se propõem a nos ajudar está em dificuldade, e quantas vezes até, recusamos um presente só porque a pessoa que nos oferece é pré-julgada pelas aparências momentâneas.

Tudo aqui no Centro da América do Sul é motivo para festa, e um aniversário nunca passa em branco, e num jantar comemorativo ao aniversário do Sr. Bisogó, que era mais idoso da família, e  já tinha muita dificuldade ao levantar e ao caminhar, decidiu que em homenagem aos parentes presentes, deveria servir um copo de suco de Manga a todos para demonstrar a sua felicidade.

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E, observado por todos, Sr. Bisogó seguiu com muita dificuldade em direção a cada pessoa sentada na mesa. E, todos o agradeciam e não recebiam o copo de suco.  Talvez porque achavam que não mereciam qualquer sacrifício do idoso Sr. Bisogó, pelo estado em que ele se encontrava.

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Mas ao final, depois de todo sacrifício,  apenas um dos convidados, o Senhor Zeca, aceitou ser servido pelo aniversariante,  que estava doente e cansado pelas dores que o mal do câncer o causava.

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Mas Zeca, foi duramente repreendido pela esposa que estava ao seu lado, disse:

– Você não viu que o aniversariante tinha dificuldade de levantar e caminhar?
– Você não viu que o aniversariante não tinha força para levantar a garrafa de suco?
– Você não notou que o aniversariante tinha suas mãos tremulas e  sem força?
Que vergonha Zeca.

Mas Zeca, que foi o único que recebeu o suco, respondeu:
– nunca eu iria deixar de receber essa homenagem proporcionada por uma pessoa que, com o sacrifício, fez manifestar uma boa ação que o ser humano pouco usa: dar sem pensar em receber, e sentir útil e feliz por ainda estar vivo.

Muitos de nós não temos a humildade de saber receber e às vezes até impedimos que o bem possa  manifestar ao  interrompermos a alegria de quem sente o prazer de compartilhar.

É importante termos em mente que a vida se completa quando as partes se juntam em ações amorosas, o orgulho de achar que somos perfeitos nos afasta de receber algo de alguém que valoriza o ato e não somente o produto.  As pessoas pelo poder do consumismo estão dando mais valor às embalagens do que ao conteúdo e por isso deixam de receber as bênçãos de estar vivo e poder partilhar o lado bom da união da família.

Ao receber, devemos agradecer a Deus por que fomos merecedores. O ato de dar, ficará, ainda mais completo quando as pessoas recebedoras sentem felizes e homenageadas.

O importante é entender que nem tudo está perdido, muitas pessoas agem em função do melhor para dar exemplo as outras pessoas, e as suas dores e amarguras de hoje, ao exercer a vontade do bem e com bons atos, estas lições  poderão ser a sementeira produtiva de  alegrias e do reconhecimento dos atos de amor, tão escassos nos dias de hoje.

Wilson Carlos Fuáh é economista, especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas em Mato Grosso
Fale com o Autor: [email protected]

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