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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Juventude, riscos e a violência

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"O comportamento de risco leva à situação de risco. Podemos citar drogas, violência, más companhias, iniciação sexual precoce, prática sexual desprotegida, evasão escolar e inatividade como problemas". Por jovem, entende-se a população entre 15 e 29 anos. Por exemplo, na faixa de 15 a 17 anos, apenas 48% frequentam o ensino médio, sendo que todos deveriam estar no colégio. Na faixa de 18 a 24 anos, só 13% estão no ensino superior. A frase é do livro "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", lançado nesta terça-feira em Brasília, pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas, do Ministério do Planejamento (IPEA).

As pesquisas vastamente divulgadas no país mostram, também, que entre os 15 e os 24 anos está se formando um vácuo de jovens do sexo masculino, vitimados por algum tipo de violência. Ou como produtores, ou como vítimas da violência.

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Por isso, gostaria de voltar aqui a um assunto recorrente: família e educação. Nessa ordem. Mas, antes, lembro do exemplo dos Estados Unidos, espalhado pelo mundo depois da segunda guerra mundial que acabou em 1945. Durante a guerra toda a economia norte-americana voltou-se para produzir comida, armas, munições, equipamentos e veículos para a guerra, vendidos à Europa, que estava a cada dia se destroçando mais. Os homens foram para o campo produzir comida e as mulheres, como aqui na época, donas de casa, foram para as fábricas. Depois de 1942, com o ataque à base marítima de Pearl Harbour, os jovens foram para a guerra.

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Leia tambémO Brasil produz como em 1958

Depois de 1945, a Europa e o Japão arrasados pela guerra, compravam comida e bens de consumo dos Estados Unidos, que se tornariam a partir dali a maior economia mundial. O que tem isso a ver com o tema proposto? As mulheres norte-americanas continuaram necessárias na indústria, no comércio e nos serviços, e os homens no campo e na indústria. Havia um vácuo de juventude, por causa da guerra. Mas para manter esse esquema econômico de altíssima produção, o país criou a escola de regime integral, coincidindo com o horário de trabalho dos pais.

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Num dos períodos, ensinava-se a educação básica, e no outro a cidadania e as habilidades como música, artes manuais, teatro, literatura e tudo o mais que formasse o caráter do aluno e o seu comportamento social. Os resultados estão aí.

O Brasil também cresceu muito durante a guerra exportando alimentos para os Estados Unidos e este para o mundo. Depois de 1945 o Brasil deu um salto de desenvolvimento com a industrialização e a urbanização em massa da sua população rural. Mas a escola continuou em horário parcial. Na década de 70 as mães foram para o mercado de trabalho e os filhos ficaram meio período na escola e o outro sem rumo.

O resultado está aí, na primeira frase e no conteúdo do livro, vítimas da violência e sem destino, o que, aliás, é assunto para um próximo artigo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso e secretário adjunto de Comunicação/Secom-MT

 

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