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sábado, 7 de novembro de 2026
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Opinião

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

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A Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, em Cuiabá, é um dos mais importantes símbolos históricos e culturais de Mato Grosso. Fundada em 1730 por comunidades negras escravizadas, tornou-se espaço de fé e resistência. Sua arquitetura colonial, com altares barroco-rococó em talha dourada e prateada, é única no Brasil. O templo foi tombado pelo IPHAN em 1975, pela Fundação Cultural de Mato Grosso em 1987 e integra o Centro Histórico de Cuiabá desde 1993, consolidando-se como patrimônio material. Além disso, a tradicional Festa de São Benedito, celebrada anualmente, foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial, reforçando o valor simbólico e comunitário da igreja.

Em maio de 2022, a igreja foi interditada pela Defesa Civil devido a graves problemas estruturais, como rachaduras, infiltrações, afundamento de piso e ataque de cupins. Desde então, as celebrações religiosas foram transferidas para espaços alternativos, o que impactou diretamente a comunidade e o turismo religioso. A interdição prolongada, que já ultrapassa quatro anos, fragiliza não apenas a preservação física do templo, mas também o vínculo cultural e espiritual da população cuiabana com seu patrimônio.

Em 2023, foi aprovado o projeto arquitetônico para a restauração; todavia, o projeto executivo não prosperou por falta de pagamento ao arquiteto. O ex-governador Mauro Mendes, por meio da Secretária de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) ficou de arcar com a insignificante quantia de 800 mil reais, de um total de algo em torno 5 milhões de reais que seriam captados via Lei Rouanet (leia-se iniciativa privada). Por outro lado, o parque Novo Mato Grosso, conhecido como parque dos Bilionários, cujo gasto inicial era de 150 milhões e já consumiu 977 milhões e, na melhor das hipóteses, ainda poderá alcançar a cifra astronômica de 1,5 bilhão de reais dos cofres públicos.

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O Estado de Mato Grosso não pode destinar míseros 800 mil reais para devolver vida à Igreja Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos; porém, pode tirar do erário a exorbitante quantia 1,5 bilhão de reais para construir um elefante branco, ou seja, 1.875 vezes maior do que o necessário para finalizar os projetos de restauração; ou, se preferir, em percentual: o parque dos Bilionários gastará 187.400% a mais; e que, posteriormente, será “dado” para a iniciativa privada, talvez em regime de comodato.

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Caminhos existem: a parceria sólida entre a Arquidiocese de Cuiabá, os fiéis e festeiros de São Benedito, poderes públicos municipal e estadual e iniciativa privada por meio da Lei Rouanet poderia ser a melhor e mais completa solução para a restauração e preservação de um dos mais importantes símbolos da identidade e da cultura cuiabana e mato-grossense. Talvez os que nos governam queiram repetir 1722: “Barbosa de Sá comenta sobre ‘huma capellinha a San Benedito junto ao lugar chamado despois rua do cebo, que dahy a poucos annos cahio e não se levantou mais’.

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Sérgio Cintra é professor de Linguagens e servidor do TCE-MT.

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