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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Intolerância e lições

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Engana-se quem pensa que as atitudes não permanecem vivas durante longo tempo causando repercussões. O Brasil foi dividido entre ideologias que não representam a alma dos brasileiros. Na prática foi o "nós" e "eles". Legitimidade zero!!! Neste momento profundo clima de instabilidade assola o país. Sua solução não implicará na solução do conflito. Ao contrário, parece que vai aumentá-lo por conta do clima pesado de intolerância que se estabeleceu.

Se, de um lado, é um desafio pra política, pros partidos, pros agentes públicos se adequarem minimamente ao novo desejo coletivo, por outro lado, a sociedade também está em cheque porque perdeu a sua capacidade de pensar coletivamente os seus interesses. Podemos então admitir que estamos no fim de uma era de separação entre o Estado e os cidadãos. A morte dos partidos políticos, gradual e firme nesses últimos 20 anos, matou a representação dos cidadãos através dos parlamentos. Sem partidos vivos, parlamentares estão sem representação viva.

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Talvez mais difícil do que recuperar o país em frangalhos seja recuperar a serenidade entre todos os protagonistas desta crise: governo, governantes, parlamentares, partidos políticos, cidadãos. Criou-se um abismo muito intolerante separando todos esses agentes. Desde o pagamento dos impostos sem o respectivo serviço público, até a ausência formal do Estado nas coisas mínimas dos cidadãos. Começa na falta da creche e termina na escola ruim. Passa pela cadeia, pela penitenciária e termina nas estradas sucateadas e nos portos controlados por sindicatos ideológicos que não embarcam e nem desembarcam mercadorias à altura da necessidade nacional. E por aí afora…

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A falta de fé dos cidadãos é coisa que leva tempo pra ser recuperada. O aprendizado de pacificação vai levar tempo, porque todos os setores da sociedade estão intolerantes e raivosos. Em casos de guerra, leva décadas até as pessoas retomarem à vida normal dentro das novas condições. Será o caso do Brasil. Aqui tem tudo pra fazer: política, economia, gestão pública, espírito público, espírito dos cidadãos. Será como sair de uma guerra que durou muito, Nada do que funcionava antes funciona agora. Mas terá que funcionar.

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Teremos nesses próximos tempos um longo aprendizado de sobrevivência.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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