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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Favoritos também perdem

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Pegue tudo o que você já ouviu e até pensou sobre a derrota daquele timeco que nos representou na Copa do Mundo e ponha em um saco. Isso mesmo, tudo aquilo como faltou garra e patriotismo aos nossos jogadores; faltou habilidade e coragem de nosso técnico; sobrou soberba de todo o escrete; sobrou auto-confiança; e sobretudo faltou futebol.

Muito bem. Agora pegue tudo o que você já ouviu e viu desse início de campanha eleitoral em Mato Grosso, e ponha em outro saco. É disso mesmo que estou falando: da mesma autoconfiança, da mesma falta de humildade, do mesmo favoritismo, do mesmo timaço formado por um dos contendores.

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No Brasil, futebol acaba virando metáfora de quase tudo, principalmente de política. As comparações são inevitáveis. Muito embora um e outro tenham lógicas absurdamente diferentes. Mas, pelo futebol, onde cada um de nós é especialista, podemos compreender melhor a política.

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E essa analogia nos força a ser um pouco céticos em relação ao favoritismo do palanque governista. Aparentemente, é o time mais forte, com os jogadores mais competitivos, quase imbatíveis. Mas, se no futebol falta-se sempre combinar com o time adversário para as previsões darem certo, em política, precisa-se saber como o eleitor reage a isso tudo, porque o gol e o placar pertencem a ele.

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A ampla coligação em torno de Blairo de fato é uma força invejável. Praticamente todos os partidos estão ao seu lado, e os que não estão precisarão contar apenas com o talento individual de seus candidatos. Mas, se faltou garra e sobrou soberba para a seleção Canarinha, parece sobrar autoconfiança e faltar coerência à coalizão governista (perdão pelo emprego desse termo. Coalizão, epistemologicamente, deveria ser empregado apenas nas alianças que se formam em torno da governabilidade. Em eleição, o termo adequado é coligação mesmo).

O palanque amplo demais pode representar um fator subjetivo de importância exponencial, mas como fator negativo. Pelo menos duas vaias surgidas das torcidas, sendo uma de Zé do Pátio e outro de Zeca D’Ávila, dos dois maiores partidos da coligação, servem de indício de que muitos problemas ainda surgirão, e o que parecia ser a contratação do século, poderá vir a ser os Ronaldos do Parreira: muita firula e nada de bola, quando não um gol contra.

A crise é exponencial porque pode se multiplicar durante a partida, digo, da campanha. A seleção formada pela turma da botina tem muitas estrelas, mas é como se cada um fosse de um país diferente, com línguas diferentes, estilos diferentes, e todos, ou a maioria, muito diferentes do técnico, do comandante, que pode não conseguir comandar, porque, num time desses, cada um joga por e para si, prevalece a individualidade.

Esse texto tá ficando uma incongruência só, reconheço. Mas, como tá todo mundo falando de futebol e de política, tentei ficar dentro da pauta. Mas, no fundo, tudo que o que queria lembrar é do que venho dizendo há muitas luas aqui neste espaço: Blairo é favorito, mas não é imbatível. E agora o jogo começou, e como todos nós sabemos, treino é treino e jogo é jogo.

Kleber Lima é Jornalista, Consultor Político filiado à ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos), e Consultor de Comunicação da KGM

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