Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Opinião

Eu e os 50 anos de Brasília (final)

Compartilhe Facebook X Texto

Brasília tem algo parecido à Semana de Arte Moderna, de 1922, quando o Brasil rompeu com o passado colonial. Em 1960 Brasília rompeu com um Brasil litorâneo, alienado e ignorante do Brasil fora do Rio de Janeiro e de Recife. O mais quase não existia. O Centro-Oeste não passava de uma região desconhecida no mapa do Brasil. O projeto urbanístico de Lúcio Costa era inovador e de inspiração socialista, assim como a arquitetura de Oscar Niemeyer, outro socialista, com inspiração vanguardista. Os velhos prédios sombrios do Rio de Janeiro e das capitais brasileiras, as janelas pesadas, as escadarias e os telhados coloniais, de repente, cederam lugar ao concreto armado aparente, às paredes envidraçadas e às avenidas largas e sem esquinas. Moradias em série dentro de projetos assemelhados e uma ideia clara de coletivização, tão em moda na época.

Mas fora isso, olhando aqui da nossa região, o paradigma de Brasília foi trazer o Brasil do litoral para o interior. Felizmente, as lideranças e as elites do Rio de Janeiro eram alienadas o suficiente para não perceberem que estavam perdendo a capital da corte brasileira histórica. Na verdade, o Rio de Janeiro vivia a corte que nele se instalara desde Dom João VI, em 1808. E Brasília voou para o cerrado do Centro-Oeste, apesar da poeira, da falta de tudo, de estradas, de bares, de charme, de praia e de esquinas cariocas, sem falar no samba, no carnaval e nos morros sinceros de então.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Junto com Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek introduzia uma nova forma de educação e de cultura. Na Universidade de Brasília, por exemplo, o currículo de todos os cursos tinham em comum os dois primeiros anos, com disciplinas humanizadoras, como história, economia, filosofia, sociologia, geografia econômica e noções de Direito. O presidente JK sabia que a cultura do Centro-Oeste e de todo o interior do Sudeste, do Norte e do centro do Nordeste, era frágil e precisava ser respeitada. A UnB teve um papel conscientizador nessa direção.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémO Brasil produz como em 1958

Em 1960, quando Brasília foi inaugurada, Cuiabá tinha apenas 57 mil habitantes, mas era uma capital de estado interiorano. Precisava ser resguardada culturalmente. E foi. Depois, mesmo com o advento do regime militar, Brasília foi o ponto de partida para um formidável desenvolvimento que abriu o Norte, o Centro-Oeste, parte do Sudeste e do Sul a um novo Brasil. São Paulo ganhou a importância econômica que antes era do Rio de Janeiro. O Sul cresceu, o Sudeste também, e o Centro-Oeste deu um enorme salto com as grandes rodovias, com as usinas hidrelétricas e com as universidades regionais.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250

Queiramos ou não, Brasília, criou um novo Brasil. Até 1960, o restante do país vivia de uma esperança incerta. Mato Grosso, em particular deve a sua redescoberta a Brasília, assim como Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia. Se hoje Brasília é vista como a capital da corrupção e da inoperância do Estado brasileiro, a culpa não é dela. É dos governantes e dos representantes que usam-na como base física.

De real, real mesmo, de Brasília, aos 50 anos, fica a certeza de que ela quebrou o marasmo do Brasil litorâneo, abriu a cabeça dos brasileiros para a modernidade, e mostrou a extraordinária capacidade de realização do país e de sua gente de construir em quatro anos uma fantástica cidade no cerrado desconhecido. O mais, a História vai nos contar no futuro. Sou muito grato por ter tido a oportunidade de vivenciar tudo isso como testemunha e como personagem anônimo, mas verdadeiro!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[email protected]

 

Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Opinião

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé