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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Estado, caos e violência

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O surgimento do Estado moderno e mais recente  na história o Estado democrático de direito  decorreu da necessidade de estabelecer normas, princípios, legais e também informais, vinculados `as tradições e costumes, para  a boa convivência entre as pessoas e grupos que integram uma determinada sociedade. Até então o que imperava era a vontade dos mais fortes,  mais poderosos  ou até mesmo dos mais violentos e truculentos. Nem precisa dizer que a violência e a chamada justiça com as próprias mãos eram as regras estabelecidas.

Com o advento do Estado  moderno surgiram diversas instituições, incluindo os governos, os sistemas legais  e também os organismos de repressão. Segundo alguns pensadores o Estado estaria sempre a serviço das classes dominantes e  esta dominação é feita através dos aparelhos de repressão,com destaque para a polícia, as forças armadas, o fisco, os  sistemas judiciário  e penal. Tais aparelhos tem  como  aliados os aparelhos ideológicos, (educação e religião) responsáveis pela transmissão da ideologia e dos valores dominantes, como mecanismo de alienção e subordinação da classe trabalhadora e boa parte da classe média.

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Assim, para entendermos o que se passa em um determinado país, principalmente quando as manifestações de insatisfação e violência, tanto de cunho social quanto criminal, precisamos procurar  entender como são constituidos os governos e como partidos políticos, mesmo com uma linguagem populista, acabam aparelhando o Estado e colocando-se a serviço dos interesses dos grupos dominantes, gerando  mais exclusão social, mais concentração de renda, mais alienação,  podendo contribuir para o surgimento de um verdadeiro caos social e uma violência incontrolável.
O caso brasileiro não foge `a regra. Ao longo das últimas décadas diversos movimentos sociais reivindicatórios foram surgindo na esteira de um novo ordenamento jurídico que , aparentemente, garante as liberdades democráticas, mas ao mesmo tempo não exclui o uso da força e da repressão por parte do Estado, criminalizando tais movimentos.
Apesar da repressão do  Estado, a cada dia as manifestações estão se tornando mais violentas, demonstrando que existe uma insatisfação com as condições sociais, políticas, econômicas, culturais e também contra a forma como os governantes definem e implementam as políticas públicas.

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Existem  dois componentes neste contexto.  O primeiro é a questão da ética ou melhor, a falta de ética por parte dos governantes em relação ao uso do dinheiro público e o segundo é a presença do crime organizado como ator politico, mesmo que não seja reconhecido de direito acaba  sendo de fato.

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Assim, para entendermos melhor as manifestações do MST, das várias etnias indígenas,  dos Balck blocs, dos sem teto, dos desalojados por barragens, dos movimentos sindicais e comunitários, das grandes passeatas  de junho/julho de 2013,  dos rolezinhos, do vandalismo que só SP, Rio e outras capitais já queimaram e destruiram mais de 450 ônibus, trens e metros, preciamos ir mais a fundo na forma como o Estado brasileiro e os  governos de plantão nos  planos federal, estaduais e municiapis tem agido em termos de proporcionar aos cidadãos, aos contribuintes, enfim, `a população obras e serviços de qualidade.
Enquanto isto não ocorrer com certeza essas manifestações irão se multiplicar e o nível de violência deverá aumentar muito mais,principalmente tendo em vista que neste ano ocorrerão dois grandes eventos que amplificaram as repercussões nacionais e internacionais dessas manifestações. Refiro-me  aos jogos da Copa da FIFA e as  eleições. Dependendo da  correlação de forças e dos níveis de repressão do Estado/Governo, podem acontecer alguns atentados, inclusive durante comícios eleitorais.
Parece que aos poucos o Brasil  está entrando no circuito internacional da violência generalizada, como há décadas tem acontecido em países africanos, asiáticos e do Oriente Médio. Quem   viver verá!

Juacy da Silva, professor universitário, titular  aposentado UFMT, mestre em sociologia [email protected]

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