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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Discurso e realidade

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 Durante dez dias o Brasil, mais precisamente o Rio de Janeiro, sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente, denominada Rio+20, numa referência aos vinte anos da ECO-92, também realizada na cidade "maravilhosa".
A idéia era a realização de um balanço do que teria sido feito nesses 20 anos e o que os países estariam dispostos a realizar pelas próximas duas décadas, ou seja até 2032. Para a grande maioria dos governos e principalmente para estudiosos das questões ambientais, ONGs , enfim, da chamada sociedade civil organizada não houve progresso a ser comemorado.

Os parâmetros estabelecidos na ECO-92 e posteriormente nos protocolos internacionais e resultados de várias outras conferências como da biodiversidade, mudanças climáticas, sobre águas internacionais e outros acordos como Kyoto ainda estão bem aquém para serem transformados em realidade ou inseridos nas políticas públicas nacionais da grande maioria dos países, inclusive do Brasil.

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Talvez apenas na avaliação do governo brasileiro e da propaganda oficial o documento final foi considerado um avanço, talvez para não dar o braço a torcer e reconhecer o fracasso de um evento que foi badalado pela mídia oficial como algo a ser um marco no encaminhamento das questões ambientais, sociais e econômicas.

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A primeira característica do fracasso foi a ausência de vários chefes de Estado e de Governo de países importantes no contexto internacional, inclusive alguns das Américas, demonstrando a impossibiidade do encontro chegar a acordos importantes. Neste aspecto a RIO+20 ficou muito aquém da representatividade da Eco-92. Um aspecto considerado importante e que fracassou redondamente foi a não transformação do PNUMA em uma organização especializada `a semelhança de outras como UNICEF, UNESCO, FAO, CEPAL etc, continuando apenas como um programa sem autonomia financeira e de políticas públicas.

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Outro fracasso foi a falta de acordo quanto `a constituiçao de um fundo, considerado bem modesto para os padrões internacionais, no valor de 30 bilhõesde dólares para financiar ações em países mais pobres e que não dispõem de recursos para enfrentar os desafios ambientais e de combate a pobreza.

Na verdade a recomendação do documento inicial e preliminar que foi elaborado para servir de base para as discussões da RIO+ 20 e o documento final a ser firmado pelos chefes de Estado e de Governo falava em um fundo de 2% do PIB mundial ou seja, 1,28 trilhões de dólares em um periodo de 20 anos a serem financiados ou doados a fundo perdido pelos países ricos.

A falta de definição dos recursos impossibilita a constituição do fundo e a não transformação do PNUMA em uma agência especializada também impossibilita a definição de programas mais ambiciosos e deixa tudo apenas em termos de recomendações e a declaração final firmada pelos diversos governos presentes em uma mera carta de intenção.
Pouco se discutiu sobre o que na verdade deverá ser feito para combater e enfrentar o desafio da pobreza e menos ainda em relação a um novo modelo de desenvolvimento baseado na sustentabilidade ou na chamada "economia verde".
Enquanto os países, principalmente as dez ou doze maiores economias do mundo não chegarem a um acordo efetivo sobre a redução concreta dos índices de degradação ambiental e as bases para um novo modelo de crescimento econômico que destrua menos os recursos naturais, onde estao incluidas mudanças tecnológicas e também de padrões e hábitos de consumo/consumismo, incluindo as diversas formas de desperdício o slogan ‘o futuro que queremos", título pomposo do documento final da RIO +20, não passará de uma mera carta de intenção. Daí a nossa conclusão: discurso por mais bonito que seja não muda a realidade.

As mudanças necessárias para salvar o planeta devem ocorrer no plano das atitudes, das ações, das políticas públicas e nos hábitos e padrões de consumo das pessoas e famílias, o resto e lero-lero! Enquanto isto não acontece nosso planeta continuará agonizando!

Juacy da Silva, professor universitário, mestre em sociologia, colaborador de Só Notícias
[email protected] Blog www.professorjuacy.zip.net Twitter@profjuacy

 

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