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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

De retrógado

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História se transcreve, não se reescreve. Digo isso em relação a 1964. Quando fatos são inventados, distorcidos, descontextualizados são apresentados décadas depois de sua suposta existência, e em tom vingativo acima do marco regulatório da anistia ampla, geral e irrestrita, em mão dupla como o próprio nome sugere, é preciso acender a luz amarela sobre a imaginária linha que separa o suportável do insuportável – no contexto do país enquanto Estado.

Quem viveu 1964 sabe que à época o mundo estava à sombra da guerra fria. À frente do governo estava Jango Goulart, comunista, apoiado por uma minoria ideológica que assustava a população por seu discurso de ódio entre classes, pelo propósito de quebrar o direito de propriedade e de transformar todo fazendeiro, empresário e político democrata em personagem de fuzilamento. Contra a esquerda, líderes civis e as Forças Armadas derrubaram Jango e o cuiabano 16º Batalhão de Caçadores do Exército (16º BC) tendo à frente o coronel Meira Mattos ocupou o Palácio da Alvorada.

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Castelo Branco assumiu o poder ungido pelo Congresso. A resposta foi imediata: entraram em cena grupos guerrilheiros. O mineiro Gilnei Viana ganhou fama na guerrilha; condenado por assassinato de inocentes (o fim justifica os meios) foi trancafiado até o indulto da anistia leva-lo de volta à luz do sol. Em Mato Grosso, pelo PT, Gilnei disputou a prefeitura de Cuiabá, foi deputado federal e estadual. Mesmo com as mãos manchadas pelo sangue, Gilnei nunca foi cobrado por seus crimes: sempre prevaleceram as regras da anistia.

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Por minha convicção democrática temo pelas consequências dos ataques ao Exército e a política de desconstrução de Geisel e João Figueiredo, ora em curso com muita força nas mídias sociais e na Globo. Não somente pela formação militar, que não permite braços cruzados diante da fúria inimiga, mas principalmente pelo ressurgimento da ameaça que resultou em 1964 agravada pela corrupção e as vantagens aos poderes em todas as suas esferas, a caserna pode sair às ruas e tomar o poder nos braços do povo.   

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A minoria irritante quer assumir o Brasil, virar a página da liberdade e fechar o estreito caminho por onde o Estado Brasileiro busca o desenvolvimento econômico e a paz social, mesmo no mar de lama em que nos encontramos. Esse inferiorizado número de cidadãos tem visão monocular: enxerga os erros dos que pensam de outro modo, mas não consegue ver as ratazanas que infelicitaram os governados no período Lula-Dilma. Não sei até quando as Forças Armadas permanecerão caladas. Avalio que quando quebrarem o silêncio novamente ouviremos – 54 anos depois de 1964 – a mesma canção da esperança, da moralização, da ordem pública e do amor pátrio nessa terra ameaçada por pensamento retrógado.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista em Mato Grosso
[email protected]

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