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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

De curva do caminho

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Castelo de Sonhos, município de Altamira (PA), 3 de setembro de 2011. Ouço o brasileiro Marco Polo Moreira Leite, presidente da Asian Trade & Investiments (ATI), que é de pouca e objetiva conversa. Esse predicado – creio – o apadrinhou para chegar ao comando daquele gigante chinês. Moreira Leite explana aos governadores Simão Jatene e Silval Barbosa, outras autoridades e empresários uma proposta mandarim capaz de revolucionar a logística de transporte no Pará e Mato Grosso.

A proposta é construir uma ferrovia com 1.800 quilômetros paralela à BR-163 criando um corredor de exportação de commodities no sentido norte e, numa escala infinitamente menor, na direção sul, para a entrada de máquinas, eletroeletrônicos, perfumes, roupas, brinquedos e uma infinidade de outros produtos Made in China que inundam prateleiras e bancas no Paraguai, Bolívia e parte do Brasil.

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Para tanto, a ATI estaria disposta a investir R$ 10 bilhões nos trilhos, terminais intermodais de embarque e desembarque, composições dos trens e, se preciso desembolsar para garantir a instalação de um porto no rio Tapajós. A obra seria executada em 450 dias. A China constrói em média quatro quilômetros de ferrovia diariamente.

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Maior parceira comercial de Mato Grosso a China entendia que a ferrovia seria estratégica tanto à sua política de segurança alimentar que garante panela cheia pra 1,3 bilhão de pares de olhos puxados quanto por se tratar de corredor aos quatro cantos do mundo.

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Essa ferrovia levaria vantagem sobre a logística atual de escoamento de commodities do Nortão, por duas razões: eliminaria os longos fretes rodoviários até os portos de Santos e Paranaguá; e os embarques nos navios seriam mais rápidos, uma vez construídas modernas instalações portuárias no Pará.

Com a ferrovia o trecho marítimo do multimodal também levaria vantagem sobre Santos. A rota dos navios de Santarém a Xangai e Hong Kong despenca em quatro mil quilômetros no comparativo com o porto paulista – que no tocante ao Nortão é alimentado pela ferrovia Rumo ALL.

Silval defendia a ferrovia. Seu colega paraense Simão Jatene demonstrava indiferença. O projeto não foi adiante porque o Brasil não conseguiu dar segurança jurídica aos chineses – no trajeto há problemas agrários, ambientais e questões indígenas.

Perdemos um negócio da China. Fomos vencidos pelo estado velhaco que chafurda na atividade meio e que não é compatível com a grandeza do Brasil em todos os aspectos. Jatene achou bom o desfecho, afinal Belém vê Santarém como rival. Pobre nação da papelada e do bairrismo.

A parte mato-grossense que seria a principal contemplada com os trilhos não se deixou descarrilar, mas sente a inoperância do estado. Aquela região, com suas vitórias e gargalos é tema de meu novo livro, “Nortão BR-163 – 46 anos depois” que em janeiro despontará na curva do caminho da minha acanhada literatura.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista em Cuiabá
[email protected]
 

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