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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Opinião

COP25: Favelas versus cidades inteligentes + verdes

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Na Conferência Climática das Nações Unidas (COP25), na Espanha, foi discutida uma ação política imediata aos governos nacionais para impor práticas responsáveis ​​de planejamento sustentável, melhoria do bem-estar humano e igualdade social, assim como a redução significativa dos riscos ambientais e dos desequilíbrios ecológicos.

Em meio às discussões, estão as novas cidades sustentáveis inteligentes + verdes, que são projetadas por arquitetos e urbanistas em vários países usando Tecnologia de Informação e Comunicação e Inteligência Artificial. Frente a isso, lembrei-me de um dos mais influentes poetas do século 20, Carlos Drummond de Andrade, ao citar as Favelas (1979), que existem em grande número nas nossas cidades.

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“São 200, são 300 as favelas cariocas? O tempo gasto em contá-las é tempo de outras surgirem. Onde haja terreno vago onde ainda não se ergueu um caixotão de cimento esguio (mas se vai erguer) surgem trapos e panelas, surge fumaça de lenha em jantar improvisado. Que fazer com tanta gente brotando do chão, formigas de um formigueiro infinito? Ensinar-lhes paciência, conformidade, renúncia? Cadastrá-los e fichá-los para fins eleitorais? Prometer-lhes a sonhada, mirífica, rósea fortuna distribuição (oh!) de renda? Deixar tudo como está para ver como é que fica? Em seminários, simpósios, comissões, congressos, cúpulas de alta prosopopeia, elaborar a perfeita e divina decisão?…”

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O imortal Arquiteto Julio De Lamônica Freire, em um trecho de um discurso de formatura disse: “(…) Em um mundo conturbado e inquieto, em que as fronteiras estão sendo rompidas, mas o convívio e o compartilhamento não estão sendo construídos, geramos novas formas de violência, segregação e exclusão, então, o lugar assume importância cada vez maior, na medida em que se constitui na possibilidade de mudança e ruptura”.

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Então, o espaço atua como baliza e referência de conhecimento e como valor, colocando-se como uma das questões cruciais desse novo milênio, com a constituição de blocos para além de estados como o da União Europeia, ao lado do acirramento de conflitos por Estado (Palestinos e Judeus). Como profissional que tem o espaço como objeto de trabalho, qual o papel do arquiteto nesse novo horizonte de humanidade?

Para que possamos encontrar respostas para essa questão, é importante lembrar que a espécie humana é composta por seres datados e situados. Desde o nosso nascimento, buscamos construir relações significativas. Por isso, tomamos espaço e tempo como referência, nosso corpo e a nossa mente se desenvolvem numa relação de interação com espaço e tempo.

Ao entender que o nosso corpo é espaço expressivo e expressão de todos os espaços, como descreveu o filósofo francês Merleau-Ponty, refletimos que o homem mora no espaço e no tempo. Isso quer dizer que não estamos dentro do espaço e do tempo e sim que nós os habitamos.

Acredito ser esta a maior lição a ser dada os representantes da União Internacional de Arquitetos (UIA), que pedem para a COP25 “uma ação política imediata para impor práticas responsáveis ​​de construção e arquitetura sustentável e design urbano”, assim ocorre em relação aos conselheiros do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) sobre o mundo em que vivemos, pois com disse Le-Corbusier:

“(…) A morada é um continente que responde a certas condições e estabelece relações úteis entre o meio cósmico e os fenômenos biológicos humanos. Um homem (ou uma família) nela dormindo, andando, ouvindo, vendo e pensando. Para seus pulmões uma determinada quantidade de ar. Para seus ouvidos, um quantum suficiente de silêncio. Para seus olhos uma luz favorável.”

As tecnologias de informação e comunicação estão hoje ao alcance dos profissionais e gestores públicos, entretanto, deveriam ser utilizadas em prol de construirmos nossa morada no planeta Terra, de modo ecologicamente correto e mais humano, sem segregações e favelas.

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