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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

Com a palavra, o povo!

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De acordo com o dicionário Houaiss de língua portuguesa, participação é um termo de origem latina que significa "tomar parte em", "compartilhar", associar-se pelo sentimento ou pensamento.

Assim, a participação também pode ser definida como o "mecanismo que permite ao cidadão comum incorporar-se aos processos de formulação, decisão e implementação de políticas públicas". Logo, a participação política pode ser pensada como uma forma de influenciar as decisões.

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Aplicado às sessões da Câmara de Vereadores, o fundamento da participação garante ao povo o direito de interferir no processo de definição das políticas públicas. Um privilégio que cria condições para que um indivíduo reafirme a sua existência por meio da prática da cidadania e reconheça "áreas de igualdade" a partir das relações que estabelece com outros indivíduos.

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A par desse princípio, o que impede na prática que o povo possa exercitar livremente sua cidadania política através do uso da palavra nos espaços democráticos das Câmaras de Vereadores?

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Bom! Penso que devemos ampliar as possibilidades do povo participar do processo político de sua cidade. A palavra, por certo, pode ser uma grande estratégia de contestação social, assim como, um mecanismo interessante de controle social.

Todos bem sabem o quanto é tedioso, monótono e desestimulante, os modelos regimentais das sessões das Câmaras de Vereadores. Um espaço aparentemente democrático, mas que resguarda um ambiente altamente corporativo, onde prevalece a lógica do poder político em detrimento ao interesse publico.

Nessas condições, como motivar a população a se interessar pela política? Como fazer com que a população participe dos interesses do município, quando o principal espaço (Câmara) de manifestação política, os impede de falar, protestar e manifestar sua opinião?

Enfim, acho que é chegada a hora das Câmaras de Vereadores repensarem seu papel de representantes do povo na acepção direta da democracia participativa. E nada melhor que ao povo seja concedido o direito de "falar", "discutir", "opinar" sobre todos os pontos que interferem diretamente nos problemas cotidianos da cidade.

A participação política é um ato de educação. E toda educação requer tempo e condições para que surta o efeito esperado. Se tais condições forem abertas pelas Câmaras de Vereadores, concedendo a população o direito de usar a palavra nas sessões, creio que a política possa, aos poucos, tornar-se mais transparente, possibilitando assim maior dinamismo e qualidade aos trabalhos efetuados pelos vereadores nessas sessões.

Uma sociedade motivada é uma sociedade mais participativa e atuante. E quando isso acontece, a política deixa de ser um espaço dos políticos e passa a ser o lugar do povo. Afinal, se é mesmo verdade que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, com a palavra, o Povo.

Oseias Carmo Neves é sociólogo e professor da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat – campus de Juara 

 

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