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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Até quando?

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Gabrielle tinha apenas 31 anos. Jovem, cheia de vida, mãe. Foi assassinada dentro de casa, em Cuiabá, por quem deveria protegê-la: o próprio marido. O autor? Um policial militar, alguém treinado para defender vidas. Os filhos do casal, pequenos, agora crescem com o trauma de um crime que jamais será esquecido. 

Quantas mais precisarão morrer? Quantas famílias ainda vão chorar diante da brutalidade que atinge mulheres dentro de seus próprios lares?

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Eu venho há tempos levantando a voz no Congresso Nacional para denunciar essa realidade. Não se trata de casos isolados. É um padrão cruel que se repete. A violência contra a mulher é uma tragédia que destrói lares, sonhos e infâncias. E o Brasil precisa, urgentemente, tratar esse tema com a seriedade que ele exige.

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Não basta endurecer as penas – embora isso também seja necessário. O que está em jogo é a omissão, a falta de estrutura e a negligência em todas as esferas de poder: municipal, estadual e federal.

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É preciso agir. Fortalecer a rede de enfrentamento, ampliar os canais de denúncia – inclusive acessíveis para mulheres surdas –, garantir a presença de delegacias especializadas com estrutura 24 horas, investir em casas de amparo, auxílio aluguel e políticas que ajudem a mulher a sair do ciclo da violência. Temos que capacitar professores, agentes de saúde, policiais, conselheiros tutelares e todos os profissionais que fazem parte da rede de apoio.

Também é fundamental amparar os filhos que ficam. Crianças que presenciam cenas de horror ou perdem suas mães da forma mais cruel. Elas precisam de acompanhamento psicológico, estrutura de creche e escola em tempo integral, proteção real.

Outro ponto urgente e que não pode mais ser ignorado: é inadmissível que agressores, especialmente os que já foram presos por crimes contra mulheres, não passem por avaliação psiquiátrica rigorosa. Precisamos investigar o estado psicológico desses homens. Quem agride ou tira a vida de uma mulher não pode ser tratado com normalidade. Essa medida é essencial para entender os perfis e prevenir novos casos. Não se pode permitir que retornem ao convívio social sem o devido acompanhamento e sem que o Estado tenha pleno conhecimento dos riscos envolvidos.

A dor de Gabrielle não pode ser em vão. Assim como a de tantas outras mulheres cujas vidas foram arrancadas sem piedade. A sociedade precisa entender que quem ignora os primeiros sinais, quem silencia diante das ameaças, também contribui para o desfecho trágico.

Como mulher, como mãe e como parlamentar, eu me recuso a aceitar a naturalização da violência contra a mulher. Serei incansável em cobrar, propor e fiscalizar ações que protejam a vida das nossas brasileiras. A omissão custa caro — custa vidas.

Não podemos esperar a próxima tragédia. É hora de agir.

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