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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Opinião

Ainda enxugando gelo

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Retorno ao tema do artigo deste domingo. A morte de um policial e de um acusado de vender e de alugar armas para crimes em Cuiabá. O governo não tem tratado a segurança como uma evidência social e política pouco ligada à área da segurança pública. Pode parecer esquisito dizer isso. Mas a segurança ainda que tenha o papel de proteger a sociedade da criminalidade, não tem a ver com a origem dessa mesma criminalidade. Ela revela profundas distorções dentro da sociedade começando dentro das famílias. Passa pelas exclusões nos bairros e deságua numa educação que deseduca. Mais tarde ela termina no aliciamento de jovens de ambos os sexos com idade inferior a 28 anos. Se encantam com o "heroísmo" dos contraventores do bairro. Os rapazes "pegam" mais meninas. E elas "pegam" mais meninos quando cometem os seus atos de heroísmo na contravenção. Deseducação pura!

O rapaz ou moça que chega debochado na audiência de custódia resume sua situação numa cínica visão: "fui mal, doutor. Foi um vacilo. Fui lá pegar umas coisas na casa da dona e me dei mal". Resume-se nisso. O depoimento é de uma promotora criminal. Pior notícia. Além da conciliação que certamente vai libertá-lo, está outro fato. Assistem à audiência pessoas ou advogados pagos pelo crime organizado. Eles observam os depoimentos. Se o preso abrir informações, ele fica marcado e será morto pelo tribunal do crime deles assim que estiver na rua. É uma justiça fria e rápida. Todos sabem disso e não colaboram. Preferem viver e continuar submetendo-se a ordens vindas de dentro dos presídios ou de grupos do que delatar alguém.

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Enquanto isso, policiais patrulham as ruas prendendo e vendo os presos na rua de novo. Enxugam gelo. Aí, quando acontece um fato como o do CPA, é aquele escândalo na mídia e na opinião pública.

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No fundo é uma novela de repetição. Como resolver isso? Seria um planejamento de longo prazo envolvendo a educação e a saúde, lá na ponta. Depois a inclusão social no bairro. Mais tarde política de emprego. Prevenção criminal. Por fim, política penitenciária e re-inclusão dos detentos. Planejamento pra longo prazo. Até lá, vamos enxugando gelo, evitando sair à rua à noite, trancar-se em casa, etc.etc.etc.

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Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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