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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

A luta contra as OSS"s continua!

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Em outubro do ano passado, quando entregamos mais de 28 mil assinaturas de eleitores mato-grossenses contrários às Organizações Sociais na Saúde do estado, coletamos também assinaturas de todos os 24 deputados estaduais e alguns deputados federais que aqui estavam, solicitando atenção ao Projeto de Lei de Iniciativa popular, que abrangeu um montante superior aos 22 mil exigidos pela Constituição. Superamos também o quantitativo de municípios exigido, no mínimo cinco com um percentual de 0,3% de eleitores. Em 66 dos 140 municípios do estado em que coletamos assinaturas, o percentual de eleitores assinantes é superior aos 0,3%.

Continuamos nossa jornada, coletando mais e mais assinaturas de eleitores que espontaneamente nos procuravam e ainda procuram, para ali demonstrarem sua indignação pelo voto depositado nas urnas àqueles que prometeram, prometeram, prometeram e nada cumpriram; pelo atendimento de "fartura", provocado pela ganância exacerbada das privatizações e da incapacidade e péssimo gerenciamento dos gestores na administração dos recursos públicos oriundos das diversas fontes de recursos, em especial, aqui, da área da Saúde.

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Sem um atendimento de qualidade, cirurgias eletivas, medicamentos, UTI"s neonatal e adulto, ou seja, sem alternativas, os usuários têm poucas saídas: engrossar as filas na procura de seus direitos constitucionais, judicializando a Saúde e dizer não às Organizações Sociais. Aos profissionais da área, resta lutar por melhores condições de trabalho, o zelo pelo patrimônio público – que se encontra em total abandono e a exigência pela revogação das Leis Complementares 150/04 e 417/11, vírus que estão corroendo um Sistema que preza pela universalidade, integralidade e humanização da Saúde Pública.

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Os eleitores usuários dos serviços de saúde, conselheiros de saúde, servidores, alunos, professores e presidentes sindicais que estavam presentes na Assembleia Legislativa no dia 11 para ver a possível votação da Mensagem 36, que versa sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular contra as OSS, manifestaram-se com vaias, assim como, outras vezes, com aplausos. Ora, o direito a manifestação nos é constitucionalmente permitido. Mas as vaias (somente!) foram repreendidas pelos deputados, e sabe-se que, por conta disso, nos bastidores, há comentários de que agora alguns parlamentares não querem mais apoiar o Projeto de Lei.

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Ora, que democracia é essa, que só pode ser feita com aplausos e aprovações de cerca de 60 pessoas, enquanto mais de 36 mil assinaturas de eleitores são ignoradas? Enquanto uma categoria inteira, formada por mais de 4 mil servidores, sofre nas mãos das OSS"s? Enquanto pessoas morrem esperando um atendimento digno por não ser "escolhido" pela empresa privada para receber o tratamento adequado, embora ela funcione à custa do dinheiro público?

Até onde sabemos, os deputados são funcionários da população. Estão lá para defender os interesses da população, que vai pra rua, que se manifesta. E não para atender os empresários que sentam em suas salas frescas para tratar de dinheiro, em reuniões de negócios.

Também é sabido que há inúmeros interesses por trás de tais negociações, mas o que fica cada vez mais evidente é que os nossos funcionários, eleitos pelo voto do povo, estão cada vez menos interessados em fazer de conta que prestam serviços de nosso interesse. É bom eles começarem a prestar atenção no cenário social, em que as mobilizações populares se fazem cada vez mais fortes e presentes, no Brasil e no Mundo. O povo já está percebendo que não é só de voto que se faz a democracia. É preciso cobrar e exigir, depois da eleição, aos vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores, que se cumpram aquilo que foi prometido. E com o povo, isso não se faz de portas fechadas, entre quatro paredes. Então saibam, senhores deputados, que a luta contra as OSS"s vai continuar porque é a população mato-grossense a fiel depositária deste desejo.

Alzita Ormond é presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente de Mato Grosso (Sisma/MT) e professora especialista em Saúde Pública e em Epilinguistica

 

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