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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

A doutrina Obama

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Finda a Segunda Guerra Mundial, com a derrota dos países do Eixo, os países europeus, incluindo a Inglaterra, a França e a Rússia – posteriormente União Soviética e outros mais, durante anos dedicaram um grande esforço nacional com o objetivo da reconstrução da infra-estrutura física totalmente destruída. Como "castigo" os Aliados impuseram aos vencidos algumas condições para evitar que os mesmos pudessem voltar a representar um perigo para o mundo. A Alemanha foi divida em duas partes, uma que passou a girar em torno da órbita ocidental, capitalista e democrática e a outra que passou a fazer parte do chamado Bloco Soviético, com a hegemonia russa e a subserviência dos outrora países independentes, mas sendo governados por títeres a serviço de Moscou, como era o mote durante todo o período da guerra-fria que durou até 1989.

O que a Alemanha nazista representou para os países e povos da Europa o Japão representou para os países asiáticos. Bem antes da segunda guerra o país do sol nascente, como sempre foi conhecido, o Japão, exercia uma política totalitária através da ocupação da Coréia e da China, principalmente. Tendo sido derrotado pelos EUA, sofrendo, inclusive com as duas únicas bombas nucleares já utilizadas em uma guerra, teve que se curvar a vontade do vitorioso. Assinou um armistício concordando em ter em seu território forcas de ocupação americanas, bases aeronavais e abdicar de ter forcas aramadas ofensivas. Na prática aceitou viver sob a tutela política, econômica e militar dos EUA.
Desta forma, os EUA foram o único país a sair da guerra sem praticamente nenhum grande dano material dentro de seu território. Seus danos foram em equipamentos e meios militares, facilitando assim, seu reposicionamento na ordem mundial do pós-guerra, inclusive no novo mapa do poder mundial, passando daí a ombrear-se e depois superar a União Soviética. O mundo entre o final da década de quarenta e o final dos anos oitenta viveu sob a divisão da guerra-fria: de um lado os EUA e seus aliados e de outro a União Soviética e seus aliados. Todas as regiões do planeta passaram a ser teatros de operação e zonas de guerra. Os conflitos regionais na América Latina, Ásia e África passaram a ter como pano de fundo uma guerra ideológica, onde os demais aspectos como a tecnologia, a economia, os esportes, as artes, a cultura, a religião, enfim, todas as dimensões da vida humana eram interpretadas segundo as duas ideologias em disputa: Capitalismo/democracia x socialismo/comunismo, este último considerado uma forma totalitária de governar em detrimento das liberdades individuais, tanto no campo econômico quanto no político.

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Durante pouco mais de quatro décadas, todos os presidentes americanos apresentaram aos seus eleitores e a população em geral e ao resto do mundo, aliados e adversários ou inimigos, suas políticas e estratégias relacionadas com questões internacionais, principalmente as relativas às guerras e a paz. O primeiro teste da disputa pela hegemonia entre os dois blocos ocorreu na Guerra da Coréia, entre 1950 e 1953, com milhões de mortos, destruição da infra-estrutura do país e a divisão do mesmo em duas nações, uma vivendo sob a órbita soviética e depois chinesa e a parte do sul passando a orbita norte-americana, situação que permanece em impasse até a atualidade.

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Assim também aconteceu durante o governo Kennedy quando Fidel Castro aceitou que a Rússia instalasse ogivas nucleares em Cuba, acabando tendo que retirar ante a posição firme do presidente americano e vendo que o risco de uma guerra nuclear era iminente e a história é pródiga em exemplos dessas escaramuças e embates ao longo de décadas.

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Com o fim da guerra-fria os conflitos regionais passaram a ser palco das preocupações da única superpotência restante. A alternância de poder entre democratas e republicanos nos Estados Unidos não tem alterado de forma significativa o posicionamento dos EUA em relação aos conflitos localizados e algumas intervenções diretas, decididas de forma unilateral ou sob o manto de decisões da ONU, marcadamente de seu Conselho de Segurança. Independente de quem seja o Presidente ocupando a Casa Branca ou a composição do Congresso americano ou os detalhes que consolidam a política e estratégia internacionais, a doutrina é a mesma: como garantir a hegemonia dos EUA no balanço de poder mundial e manter seus interesses internos e externos.

Bush, tanto o pai quanto o filho, ficaram conhecidos pela guerra do Iraque e do Afeganistão. Obama, depois de conseguir eliminar Bin Laden, deseja passar a história como o campeão da paz, tanto entre países árabes e seus grupos dissidentes quanto em relação ao histórico e milenar conflito entre árabes (palestinos) e judeus. Mesmo tendo forte oposição dos grupos judaicos americanos e do próprio governo de Israel, Obama insiste em ser o arquiteto de uma paz negociada, garantindo a existência do Estado de Israel e abrindo caminho para a criação e instalação do Estado Palestino, sem a participação de grupos considerados terroristas. A grande guinada nesta "doutrina" é a questão da fronteira. Obama insiste em estabelecer o "status quo" antes da guerra de 1967 e seus opositores internos e Israel não aceitam devolver ou negociar territórios conquistados na guerra dos seis dias.

Aos poucos Obama tenta re-definir a grande estratégia americana de manutenção de suas esferas de poder e influencia ao redor do mundo. Muita coisa ainda vai acontecer e isto é fundamental para a sua reeleição no ano que vem. Ainda tem muita água para correr!

Juacy da Silva, professor universitário, mestre em sociologia, colaborador de Só Notícias, no momento nos EUA
[email protected]

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