A crise oportuna
O mesmo ideograma chinês que define o vocábulo “crise”, também é usado para a palavra “oportunidade”.
Neste sentido, a filosofia chinesa nos dá grandes lições acerca de nossas próprioas limitações e, ao contrário, também de nossas potencialidades. Limitações porque em muitos casos, ao nos depararmos com um evento crítico, acabamos por nos acanhar e nos pomos a esperar que alguém ou algo venha em nosso socorro, mostrando-nos a tão esperada “luz no fim do túnel”… porém, se tal indivíduo ou ser não aparece, nos debulhamos em auto-piedades, afirmando que tudo poderia ser ainda pior e que as coisas, um dia, hão de melhorar. Já a outra face da moeda nos mostra que, se não nos deixarmos vencer pela aparência caótica que a crise enverga e pormos nossas potencialidades a agir, transmutando-as em atitudes positivas, conseguiremos nos desvencilhar das amarras da miséria que nos rodeia e, enfim, galgarmos espaços mais propícios ao nosso próprio desenvolvimento humano e social.
A atual crise ética pela qual passam alguns setores da vida pública brasileira na contemporaneidade pode nos dar exata medida daquilo que aqui foi dito até agora, ou seja, que se pudermos absorver de todos os eventos as lições que eles deixam escondidas além das aparências, estarão abertas as oportunidades para a construção de uma sociedade mais madura e sensível às suas próprias necessidades, carências e virtudes.
Em recente missiva ao povo brasileiro, o Soberano Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Laelso Rodrigues, reafirmou o caráter e a missão da Maçonaria brasileira, quer seja, a de zelar pela Pátria e lutar pela manutenção e bom funcionamento de suas mais caras instituições.
Tal carta, entendo, serviu como clamor não somente aos Maçons, mas a todo o povo de nossa Nação, para que sejamos agentes patrocinadores de uma nova republicanização e uma nova redemocratização do Brasil.
Eis que a própria História fêz-nos um convite a abrir novos rumos em nossos destinos, nos bastando agora escolhermos nosso próprio futuro: ou reafirmaremos nossa essência construtiva ou esperaremos novos “heróis”, que, talvez, nos redimirão de nossa própria incapacidade e letargia.
*Sonir José Boaskevis é estudante de Sociologia, mato-grossense, livre-pensador e diretor do jornal A Coluna Universitária, em Brasília – DF




