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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Opinião

100 mil contra a corrupção

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As manifestações populares que ocorreram no final deste dia 20 de junho em Cuiabá adentraram à noite e deixaram algumas lições (que não serão jamais esquecidas) e revelam muitas dúvidas (sobre o futuro). Não há lideranças na frente da multidão, não existem patrocinadores de camisetas (bonés, faixas etc.) ou reivindicação padrão.
Não há grito de ordem e nem ordem pra gritar (somente a busca da felicidade).
Mas o ato revela o alto índice de indignação da sociedade.

Da lição que emerge das ruas, duas são dignas de menção neste breve ensaio e devem mobilizar a academia, os políticos, os estudiosos de comportamento: o povão não quer mais partido político (não nos representam, dizem) e menos ainda respeitam e acreditam nos políticos tradicionais.
E cá pra nós, estão cobertos de razão.

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Ora, os partidos políticos, são mais de trinta deles registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não foram capazes de oferecer as soluções das demandas que são mais visíveis para o povo, que é a saúde a educação e o respeito com a aplicação dos recursos públicos.

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Não nos deram a felicidade!
A corrupção no serviço público e nos contratos com a administração desviam bilhões de reais do dinheiro que seria destinado a dar escolas com ensino de qualidade e merenda decente para nossas crianças e jovens. A corrupção desvia o sagrado dinheiro dos remédios e hospitais para os cofres das empresas privadas (geralmente de propriedade de políticos, seus parentes ou correligionários).

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E o que fazem os partidos políticos para evitar essa sangria e comportamento maligno?
Absolutamente nada.

Os partidos se transformaram em verdadeiros cartórios, balcões de negócio, micro espaços de poder de seus dirigentes, que se aboletam sobre a direção partidária e dali dirigem seus interesses econômicos e políticos. Não há renovação, não se veda a filiação de potenciais ficha sujas, por exemplo, e a estes mau caráteres e dado o direito de disputar eleições.
Na verdade os partidos políticos incentivam e acolhem aqueles pulhas que se especializam em arrecadar recursos sujos para campanhas eleitorais e depois roubam durante o mandato (para quitar os compromissos financeiros).
A verdade é que os partidos políticos incentivam a corrupção, a anti democracia, a vedação às minorias e tudo ali se transforma em balcão de negócios.
Acho que isso acaba por aqui.

Os jovens, crianças e idosos que vi nas ruas de Cuiabá, ontem, acho que uns 100 mil, disseram muito claramente que os partidos políticos não os representam.
E os políticos?
Na manifestação vimos um verdadeiro "malha judas" com fotos e cartazes descrevendo as lideranças políticas tradicionais como pessoas do mau. "Corruptas", "cleptomaníacas", "ficha suja", "fora daqui" são as mensagens que foram veiculadas pelos cartazes confeccionados à mão, ali mesmo no local do protesto.

Em um determinado momento da manifestação, lá pelas dezoito horas, era possível metrificar a revolta: ainda havia gente saindo da avenida Getulio Vargas, no centro de Cuiabá (final da fila), enquanto que a dianteira da turba já estava se aproximando do Shopping Pantanal, próximo à Assembleia Legislativa. Somando as pessoas nas sacadas das casas, os motoristas que buzinavam e o povo nas ruas facilmente o resultado é 100 mil pessoas contra a corrupção.

Na "casa Cidadã", como se intitula a assembleia legislativa, destino final da manifestação, o "bicho pegou" e não havia nenhum político para receber o povão (que só queria protestar e reivindicar)!
A mensagem foi dada, com muita clareza, é o fim da gestão administrativa (e dos políticos) que se valem da estrutura pública para interesses patrimoniais próprios.
Esqueceram-se do Povo!
O Povo acordou!
E agora vai começar a pregar o Voto Nulo.

Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery são ativistas do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral)

 

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