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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Economia

ONG defende apoio a madeireiros e diz que foco central não é moratória

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A proposta de suspensão temporária para o  desmatamento em Mato Grosso até que o sistema de licenciamento esteja regularizado, em estudo pelo governo federal, está causando polêmica no Norte do Estado. Para Sérgio Henrique Guimarães, coordenador do Instituto Centro de Vida (ICV),  o foco central do debate deve ser o combate ao desmatamento ilegal e à impunidade generalizada que existe no Estado. Além disso, Guimarães afirma que devem ser desenvolvidos novos mecanismos para extração de madeira vinculados a políticas de fomento a atividades legais e feitas de forma sustentável.

“É importante uma reformulação no sistema de controle e regulação do setor madeireiro, mas o problema maior não é a moratória, e sim a ilegalidade” afirma Guimarães. Para ele, desde a Operação Curupira, a maioria das reações veiculadas através da mídia têm uma postura reativa e não chegam ao ponto central do problema. “A realidade é que  Mato Grosso tem a economia, em grande medida, baseada na exploração predatória dos recursos naturais, portanto sem sustentabilidade e com poucas perspectivas de futuro. O desafio atual dos diversos setores em Mato Grosso – governo, setores econômicos, academia e sociedade – é pensar como  reestruturar essa economia para ela que ela se torne sustentável e possa continuar crescendo”, reflete.  “É claro que medidas emergenciais devem ser tomadas, mas ao mesmo tempo, é prioridade refletir e realizar as mudanças estruturais necessárias”.

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A chamada moratória do desmatamento será discutida na próxima semana, como parte de um esforço do Ministério do Meio Ambiente e governo de Mato Grosso para combater o desmatamento ilegal. O primeiro passo foi dado nesta semana, quando a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e o governador Blairo Maggi acertaram que os órgãos ambientais das duas instâncias – Ibama e Sema – vão atuar conjuntamente. Entre as medidas anunciadas está um convênio para uso de dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) pelo Mato Grosso, e desenvolvimento de um sistema para certificação das propriedades rurais no Estado.

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Na opinião do presidente do Sindicato das Indústrias dos Madeireiros do Extremo norte de Mato Grosso (Simenorte), Augusto dos Passos, a legalidade é um ponto chave para entender o cenário madeireiro no Mato Grosso. Para ele, as possibilidades de diálogo com o poder público são inexistentes, o que estaria agravando a crise no setor. “Não tem diálogo com o poder público. Todos os madeireiros são taxados de bandidos e sonegadores de impostos” reclama Passos, “se o governo tem essa leitura do setor, como a gente vai dialogar?”. Para o presidente do sindicato dos madeireiros, o governo deveria separar o joio do trigo: “partir da premissa que todos são bons e o que for ruim será punido seria uma alternativa. Privilegiar quem buscou trabalhar na legalidade, pagou imposto, fez reposição florestal, etc.” analisa o empresário.

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Para Carlos Teodoro Irigaray, assessor da recém criada Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso, a suspensão das autorizações para desmatamento por um determinado período pode permitir uma melhor estruturação dos órgãos ambientais para exercer o controle da atividade madeireira. “Há outros aspectos que precisam ser ponderados”, afirma Irigaray, “entre os quais o controle do transporte de produtos florestais oriundos de planos de manejo – que continuarão sendo licenciados – e também o suprimento de madeira para secagem de grãos no estado”, aponta.

Augusto dos Passos, no entanto, diz que o setor não terá como esperar o andamento dessas medidas de controle. Segundo o presidente do Simenorte, das 48 empresas filiadas, cinco já fecharam as portas e colocaram todos os funcionários em aviso prévio. “Não tem madeira de origem legal para nós trabalharmos”, afirma, e conclui “eu mesmo já parei a minha fábrica”.

Carlos Teodoro Irigaray garante que o governo do Estado está estudando mecanismos de apoio à regularização dos manejos florestais, avaliando formas de diminuir os custos do processo de elaboração e licenciamento dos planos de manejo, a fim de garantir o suprimento de madeira legal em Mato Grosso. “O detalhamento dessas propostas nós teremos na próxima semana, em uma reunião conjunta entre Ibama e Sema”.

“Desburocratizar é  fundamental”, afirma Sérgio Guimarães. “Os planos de manejo têm que funcionar de uma forma desburocratizada e transparente, que evite os problemas que estavam acontecendo anteriormente”, avalia o coordenador do ICV, reforçando que  o mais importante é dar continuidade aos processos de combate às ilegalidades e à impunidade e realizar as mudanças estruturais.

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