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sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Economia

Mato Grosso: logística emperra crescimento de mercado do etanol

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O mercado de etanol em Mato Grosso é promissor, porém depende de logística de transporte. Mesmo que o governo trace projeções interessantes para a produção do combustível, o setor sucroalcooleiro avalia que o Estado não será a curto e médio prazos beneficiado com as perspectivas. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2008-2017 a demanda para o combustível crescerá 150% em 10 anos, passando de um consumo de 25,5 bilhões de litros este ano para 63,9 bilhões/l em 2017.

A previsão é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e é sustentada pelo maior consumo do etanol por parte dos automóveis, já que a previsão é que cerca de 80% do volume total consumido será do setor, com o incremento na frota flex (bicombustível), cuja taxa média de crescimento é de 4,8% ao ano para os veículos leves. Apesar das previsões positivas, que no caso de Mato Grosso poderá aumentar ainda mais a produção e atender o mercado interno, representantes do segmento afirmam que o sucesso da projeção está condicionado às condições de escoamento do produto, ou seja, da logística, que hoje emperra o desenvolvimento não somente do setor sucroalcooleiro, mas também a agricultura e pecuária.

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A logística é um velho problema que aflige os setores produtivos locais e que caso seja resolvida, por meio de ferrovias, rodovias, hidrovias e no caso do etanol, de um alcoolduto. Na avaliação do diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Jorge dos Santos, a projeção feita pela EPE só será favorável ao Estado se houver um meio de transporte para o produto que possibilite o ganho de competitividade em relação a outros centros produtores como Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais, que estão mais perto dos portos (no caso do produto ser enviado ao mercado externo) e também dos maiores pólos consumidores, que estão localizados na região Centro-Sul do país.

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Outra medida que deve melhorar a situação dos produtores mato-grossenses é com relação à aceitação do produto internacionalmente, a partir de definições de critérios que resultem em uma padronização de qualidade para o combustível e assim possa ser comercializado em todo o mundo. “A partir do momento que houver uma definição que transforme o etanol em uma commoditie internacional, o Brasil, que é um grande produtor poderá ser mais efetivo na mesa de negociações e conseguir um preço melhor, que remunere toda a cadeia”, diz ao informar que representantes do setor brasileiro participam de reuniões com autoridades da União Européia para saber as exigências socioambientais, do processo de produção, entre outros.

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Mesmo que as perspectivas sejam positivas, o setor enfrenta um período de crise, decorrente de uma superprodução em 2006 quando diante de uma escassez do produto aumentou a produção e no ano seguinte, com oferta maior que a demanda, os preços foram depreciados levando o setor à uma preocupação que perdura até hoje.

A melhor alternativa para Mato Grosso, segundo Jorge dos Santos é a chegada do alcoolduto. Segundo informações repassadas pela assessoria de imprensa da Petrobras, a atual fase do projeto é conceitual e integra a estratégia da estatal visando incentivar a exportação de álcool. O início da obra está previsto para 2009 e a conclusão para o final de 2010. Os investimentos somam US$ 1 bilhão.

Está prevista a construção de seis trechos para a interligar as principais regiões produtoras do país com os portos de São Sebastião (SP) e da Ilha D”água(RJ). A extensão total do duto será de 1,056 mil quilômetros. A estrutura partirá de Senador Canedo (GO), passando por Buriti Alegre (GO), Uberaba (MG), Ribeirão Preto (SP), Paulínia (SP) e Guararema(SP). Deste ponto seguirá para a Ilha D”água (RJ) ou para São Sebastião (SP). Existirá também um trecho ligando Santa Maria da Serra (SP) até Paulínia.

Entre os benefícios do modal de transporte estão a facilidade de escoamento da produção de etanol nas regiões Centro-Oeste e Sudeste para os portos, que fomentará o crescimento da demanda e a criação de postos de trabalho.

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