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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Economia

Governo Lula cria programa de apoio financeiro para os planos de saúde

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O governo Luiz Inácio Lula da Silva prepara medidas de socorro financeiro para as empresas de planos e seguros de saúde, o polêmico setor que reúne 1.797 operadoras e responde pela assistência a 40,1 milhões de brasileiros.

A intenção é criar duas linhas de crédito, ambas com recursos do mercado financeiro, a princípio de duas instituições estatais: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil. Uma das linhas servirá para estimular fusões e aquisições. A outra, empréstimos de curto prazo.

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De acordo com Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é responsável pela fiscalização do setor, já começaram as conversas com a diretoria do BNDES e está em implantação um grupo de trabalho.

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Na última sexta-feira, o banco informou desconhecer a proposta. Se aprovada, ela poderá criar um monopólio no mercado, alertou Arlindo de Almeida, presidente da Abramge, entidade que reúne planos de saúde.

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“É uma idéia para estimular um rearranjo do setor, com fusões e aquisições”, explica Alfredo Cardoso, diretor de Normas e Habilitação da ANS e responsável pelas propostas de socorro. Bancos privados poderão participar, mas nenhum se interessou.

“Alguns comparam isso ao Proer do sistema financeiro. Mas a saúde suplementar, além de importante sob o ponto de vista econômico, faz parte da parte social, do “S” do banco”, explicou ainda Cardoso, que é ex-diretor da empresa de planos Amil. Segundo ele, há interesse da diretoria do BNDES na operação.

O Proer foi um programa de incentivo a fusões e aquisições de bancos lançado em 95, na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

A ANS também já apresentou um fundo a ser gerido pelo Banco do Brasil que ofertará R$ 150 milhões às operadoras em três anos, para empréstimos de curto prazo -60 dias- a uma taxa de juros de 3% a 5% ao ano, mais o CDI, título que é referência de rentabilidade para fundos bancários. Isso significa algo como 21% ao ano. Hoje, essas operadoras, ao buscar empréstimo no mercado financeiro, pagam 3% a 5% ao mês, o que gera diferença de no mínimo 15 pontos percentuais/ano em relação à proposta do governo.

O fundo terá como garantia as mensalidades dos clientes -a securitização de recebíveis.

Segundo Santos, a agência foi uma “facilitadora” da operação. A idéia é viabilizá-la em até 90 dias. O banco não quis comentar.
Para especialistas do mercado, o risco da operação dependerá dos contratos. É necessária, por exemplo, uma segurança contra uma possível inadimplência no pagamento das mensalidades.

Segundo Cardoso, os principais grupos de setor, o de operadoras e seguradoras de saúde, perderam clientes nos últimos quatro anos, tiveram ganhos pequenos no faturamento e estão com índices de liquidez (capacidade de obter recursos rapidamente) apertados.

“O setor público não tem de socorrer essas empresas. Elas foram criadas com recursos públicos e já vêm sendo subsidiadas. Ainda que o gesto seja só simbólico e que não haja emprego de recursos públicos, o esforço do Estado deveria ser na consolidação do SUS”, diz Ligia Bahia, pesquisadora do Laboratório de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma das autoras do laudo sobre o tema da Comissão de Saúde Suplementar do Conselho Nacional de Saúde, órgão de controle social do setor.

Para Bahia, o setor é subsidiado porque, por exemplo, não paga ao sistema público pelos atendimentos de urgência de seus pacientes, apesar da exigência legal.

R$ 589,3 milhões é o que o SUS poderia ter recebido das empresas pelos serviços de urgência desde setembro de 1999 até o mesmo mês de 2003, mas apenas R$ 40,3 milhões haviam sido quitados.

O texto da comissão destaca que o orçamento do ministério deste ano, R$ 39,2 bilhões, para 140 milhões de “SUS-dependentes”, aproxima-se de tudo que o setor privado movimenta. “Em um país em que metade vive na miséria, a questão de saúde é pública, não privada”, diz o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, rompido com o governo desde 2004.

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