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domingo, 8 de novembro de 2026
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Economia

Benefícios do manejo florestal de impacto reduzido são debatidos em Alta Floresta

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Madeireiros, agrônomos, universitários e ambientalistas estarão participando hoje de uma oficina sobre manejo florestal sustentável em Alta Floresta. O evento começa às 08:30h, no campus da Unemat e vai até o final da tarde, 17h30. Na programação está a apresentação de um diagnóstico setor florestal no território Portal da Amazônia, mostrando a situação e perspectivas no extremo norte de Mato Grosso. Serão realizadas duas palestras. A primeira, proferida por representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, terá como tema “Novo marco regulatório para a atividade madeireira de Mato Grosso: legislação e procedimentos administrativos”.

A segunda palestra vai enfocar custos e benefícios da implantação do manejo florestal de impacto reduzido. O palestrante será Ricardo Félix Santana – pesquisador do CNPq/Universidade Federal do Pará. O pesquisador já destacou que a idéia de que o manejo sustentável custa mais se deve, em grande parte à falta de planejamento da exploração, que acaba mascarando custos com a perda de matéria-prima.

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Tecnicamente, o manejo florestal sustentável acrescenta duas etapas à exploração dos produtos madeireiros, o que representa um investimento de pessoal qualificado e atenção constante com a floresta. O que costuma assustar os empresários é justamente o investimento no período pré-exploratório, em que é preciso fazer o levantamento completo das espécies existentes na floresta a ser manejada, planejar e construir a infra-estrutura necessária para o trabalho e selecionar as unidades que serão coletadas – todas etapas que devem ser executadas um ano antes do primeiro corte.

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Santana explica que esse investimento inicial compensa no longo prazo, uma vez que o inventário florestal, estradas e pátios de estocagem construídos neste primeiro ano são usados de forma permanente, sendo portanto, um custo praticamente inexistente ao longo dos demais ciclos de exploração. O planejamento da exploração também evita desperdício de matéria-prima e racionaliza o uso de máquinas e equipamentos, uma economia que, se computada árvore por árvore, compensa.

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“A exploração convencional desperdiça até dois metros cúbicos de madeira de valor comercial para cada metro cúbico aproveitado”, afirma Santana. “Isto porque há um grande número de árvores identificadas e não-cortadas, árvores cortadas que não são encontradas pela equipe de arraste, e outras situações que o empresário não vê, e por isso não conta como custo” disse.

Segundo ele, pesquisas de campo mostram que o desperdício de madeira chega a 24% do total explorado quando não há planejamento, já em áreas de floresta manejadas de forma sustentável, esse desperdício gira em torno de 7%. A explicação é simples: quando não há um bom planejamento das trilhas, pátios de estocagem e marcação das unidades a serem coletadas, no mínimo, gasta-se mais horas de trator e motosserristas para encontrar as árvores escolhidas para corte na floresta.

Somando tudo, o manejo florestal sustentável traz benefícios nítidos a longo prazo para todo o setor florestal, e ainda pode gerar outros lucros, como investimentos nos chamados serviços da floresta, que vão desde a conservação da qualidade das águas até a possibilidade de retorno financeiro com os ainda novos, mas já promissores negócios em torno dos créditos de carbono.

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