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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Economia

Alta dos alimentos pode resultar e redução do consumo

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A alta dos preços dos alimentos, ainda que esteja dando sinais de desaceleração, tem afetado bastante a percepção dos consumidores em relação ao comportamento da inflação. Não só isso: já se estima até alguma redução efetiva do consumo geral por conta dos gastos maiores que as famílias vêm tendo com alimentação, um dos principais itens na composição das despesas.

O impacto não será expressivo, já que o consumo segue em embalo muito favorável, amparado pelas melhores condições do crédito e pela recuperação da renda do consumidor. Mas a pressão de preços dos alimentos – em uma proporção não vista há vários anos – certamente teria reflexos mais negativos, tanto do ponto de vista do consumidor como da economia em geral se não fossem esses avanços.

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Os últimos índices mostraram queda de preços de produtos que vinham se destacando como vilões da inflação no ano, como o leite e derivados e até o tomate. Esses foram um dos motivos da desaceleração do IPCA superior à prevista para setembro. Mas o fato é que outros alimentos registraram agora alta forte – o consumidor sente no caixa do supermercado – o que ainda produz efeitos negativos, tanto do ponto de vista psicológico como em termos de poder aquisitivo.

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O clima tem pesado muito na oferta e, conseqüentemente, nos preços de frutas, legumes, verduras. O varejo reflete aumentos mais fortes registrados anteriormente no atacado. É o caso dos grãos. O aumento da soja chegou ao óleo. A elevação dos preços do trigo agora provoca aumento maior dos preços das massas e até do pão, com aumento médio de 10%.

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A situação deve se normalizar até o final do ano, especialmente com a melhora do clima. Mas é preciso levar em conta a mudança mundial que vem ocorrendo no consumo e na formação de preços de commodities em geral e, em particular, dos alimentos. Esse novo cenário tende a manter os preços em patamar mais elevado. Haverá um recuo sazonal, mas não se pode contar mais com a chamada âncora verde. Com a forte contribuição dada pelos produtos agropecuários, durante muito tempo, para o controle da inflação.

O esperado aumento da safra para o próximo ano tende a evitar aumentos persistentes como os registrados agora em 2007, mas os preços, na média, não devem recuar para o patamar que estavam até dois anos atrás. Além da questão do consumo, há o impacto dos fatores climáticos, do aquecimento global, e da produção do etanol, especialmente a partir do milho que pressiona os preços de produtos relacionados além do risco, hoje alvo de muitos alertas, de “roubar” espaço destinado a outras culturas. Alerta que vale também para o Brasil e a cana-de-açúcar.

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