Ambiente de testes · não indexado pelos buscadores
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Publicidade
E-01 · 1190 × 250E-01 · 336 × 100Super banner topo
Alexandre Garcia

Presos políticos

Compartilhe Facebook X Texto

Nada mais significativo que a bandeira de Cuba tremulando junto à bandeira do PT, para encimar cartazes que falam em "julgamento de exceção" e "presos políticos", diante do Presídio da Papuda. Com efeito, Cuba e julgamentos de exceção, com presos políticos, são inseparáveis. Dez mil presos políticos foram fuzilados sumariamente, com o carrasco Guevara no comando. Opositores da ditadura apodrecem nas masmorras cubanas até hoje. Mas nem todos do PT pensam assim. Liderança histórica, ex-ministro de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, acaba de declarar, em entrevista ao Jornal do Comércio, "Eu não os considero presos políticos; foram julgados e estão cumprindo pena por condutas políticas… Não é o passado que está em jogo; é o presente e eles se conduziram mal, envolveram o partido."

Se o passado estivesse em jogo, eles não seriam réus primários nem teriam regime semi-aberto, mas a anistia concedida pelo regime militar anulou as condenações da época. Os réus petistas e parte da militância insistem na tese de prisioneiros políticos porque esse é o padrão da ideologia. Onde quer que haja o regime comunista, há preso político. Hoje, em Cuba e na Coréia do Norte; ontem na União Soviética. Com julgamentos sumários. Crimes de opinião. Nenhum dos presos do mensalão foi condenado por suas opiniões, mas por crimes financeiros. No crime financeiro se igualam a capitalistas que criticam, então concluem que é nobre ser preso político. Quer dizer, enganam-se a si próprios e à militância ingênua, para demonstrar que não são criminosos de colarinho branco, não são corruptos.

Publicidade
E-02 · 300 × 420

Ao mesmo tempo demonstram um fisiologismo que os iguala aos outros partidos políticos, ao reclamarem que Lula poderia ter-se movimentado mais para evitar a CPI dos Correios – que redundou no processo -, e impedido que os ministros por ele nomeados votassem pela culpa dos réus. Queixam-se da infidelidade dos juízes nomeados por Lula e Dilma – oito entre onze. Na cabeça dos queixosos, ministro do Supremo tem que estar à serviço do presidente que o nomeou. São incapazes de reconhecer que o caso levou oito anos para transitar em julgado e que tiveram o mais amplo direito de defesa, num julgamento técnico que aplicou a lei, não o arbítrio dos juízes. Sem defesa, agem infantilmente, na base do "eu fiz, mas o outro fez mais", no argumento de que também existiu o mensalão do DEM em Brasília e o do PSDB em Minas – temas que, a propósito, estão correndo na Justiça.

Publicidade
E-03 · 600 × 100E-03 · 300 × 100
Leia tambémQuatro anos

O que está em jogo em tudo isso é o quanto o caso pode afetar o PT nas eleições. Eu duvido que afete. Quando estourou o escândalo e Roberto Jefferson denunciou o mensalão em 2005, isso não prejudicou o PT nas eleições de 2008 e 2010. Mas ao insistir com a tese indefensável de "prisioneiro político" dizem com isso ao mundo que o país governado pelo PT há onze anos tem julgamento de exceção e preso político. Poderiam argumentar a realidade honrosa de que mesmo estando no poder, o PT tem a sua cúpula condenada e presa exemplarmente, demonstrando a força das convicções democráticas do partido.

Publicidade
E-05 · 300 × 250E-05 · 300 × 250
Publicidade
E-04 · 600 × 100E-04 · 300 × 100

Mais sobre Alexandre Garcia

Ver tudo →
Publicidade
E-06 · 300 × 250
Publicidade
E-08 · 970 × 250E-08 · 300 × 250Billboard antes do rodapé