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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Alexandre Garcia

No limite da fadiga

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O livro de um comandante da TAM revela que as tripulações estão no limite da fadiga. “A fadiga é o maior fator de risco da aviação.” – escreve ele. As jornadas de trabalho, entrando madrugada adentro, já encontraram pilotos dormindo na cabine de comando com o avião configurado para o pouso. Pilotos e comissários fatigados são receita para o desastre, afirma o comandante. Com a jornada no limite, a reciclagem do treinamento a ser feita a cada seis meses, vai sendo adiada, muitas vezes, por cinco anos! Aí a gente entende o desastre da TAM com o Airbus atravessando a pista de Congonhas e matando 200.
  
Os médicos e enfermeiros também estão no limite de fadiga. Eles são poucos, nos hospitais públicos, e os pacientes são cada vez mais. A responsabilidade sempre é deles, mas falta equipamento básico, como luvas, sondas, além de aparelhos para exames que são decisivos para o diagnóstico. Levam para casa as preocupações com a evolução de seus pacientes, em rede pública cujo ambiente em geral está longe do ideal. Estudam muito, ganham pouco e salvam vidas.
   
Também os professores estão no limite da fadiga. São reféns das mazelas que vão desaguar na escola. Pais indiferentes, pais violentos, pais drogados e bêbedos que mandam filhos para a escola apenas para marcar a presença que garante as bolsas do governo. Ou, em outro nível, pais que mandam para as escolas filhos mimados, que não estão preparados para frustrações ou contrariedades. A hipocrisia do politicamente correto acha humilhante alguém receber nota baixa, e é preciso aprovar até analfabetos. Professores são agredidos e ameaçados de morte, em meio a drogados e traficantes. Estão no limite.
   
Por que andamos tão tortos nesse país abençoado pela natureza? Estamos perdendo a noção da organização, do mérito, do valor da vida humana. O objetivo é ganhar dinheiro fácil ou aparentar que se faz alguma coisa, fazendo mal. Estamos satisfeitos com a mediocridade. Nos três exemplos acima, a estafa(como chamam nos Estados Unidos – aqui é stress…) mata de formas diferentes. Pilotos e médicos que erram por fadiga, levam a desastres no presente. Professores desestimulados por fadigas de todas as origens, não conseguirão evitar a morte do futuro.

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