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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Alexandre Garcia

Mensalão – o retorno

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A Veja desta semana sugere que a CPI para cassar Demóstenes por causa de Carlinhos Cachoeira seria obra de um maquiavel de São Bernardo, para desviar as atenções para o iminente julgamento dos 36 réus do mensalão. No entanto, se dermos asas à imaginação, poderemos crer que foi uma conspiração à altura do verdadeiro Maquiavel de Florença. Ou seja: quem quisesse investigar as ligações de Carlinhos Cachoeira com gente do governo e da Construtora Delta, cheia de obras no PAC, com dinheiro indo para lá e para cá – quem quisesse investigar jamais conseguiria que o PT aprovasse uma CPI. Então, nesse xadrez, sacrificou-se um bispo (Demóstenes) e uma torre (governador Pirillo), estimulando os peões do PT dispararem com sede ao pote, com o risco de deixar vulneráveis seu rei e rainha.
Enfim, sejam quais forem as conjecturas, o fato é que abrir-se Cachoeira é como abrir uma caixa de Pandora.

Libertam-se todos os males. Fizeram uma CPI com deputados e senadores e agora parecem estar arrependidos. Algumas lideranças governistas sugeriram que se o Supremo enviar as provas contra Demóstenes à Comissão de Ética, isso seria suficiente; não seria necessária uma CPI. Ora, agora deu vontade de saber o que se quer esconder, ou evitar que venha à luz. O advogado do prisioneiro Cachoeira é Márcio Thomaz Bastos, que era Ministro da Justiça de Lula quando Cachoeira revelou o vídeo de Waldomiro Diniz, o braço direito de José Dirceu, pedindo propina. Queriam CPI sobre o caso, mas ela não saiu. Agora algumas más línguas sugerem que o advogado tenha a missão de manter Carlinhos calado, para que a cachoeira não se transforme em catarata.

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Já estão envolvidos, além do senador Demóstenes, que era do DEM, o governador de Goiás, do PSDB, o governador de Brasília, do PT, e deputados do PC do B, do PPS (ex-partido comunista), do PP, gente do governo federal e do governo de Brasília, gente da Polícia Federal e do Ministério Público – enfim, uma CPI para tratar das ligações de Carlinhos Cachoeira e da Construtora Delta, tem tudo para cumprir o princípio de que "uma CPI se sabe como começa mas não se sabe como termina". Uma metralhadora giratória; um prato apimentado em ano eleitoral. O PMDB teria direito de presidi-la, mas parece desinteressado. Se sair CPI e não uma pizzaria, seria ótimo para o eleitor conhecer a história seguinte da série, com os mesmos ingredientes de propinas, ligações ilícitas, eleição, favores, poder, contratos. Uma espécie de Mensalão – o Retorno.

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Depois de negar que conhecesse Cachoeira, o governador de Brasília admitiu que o conhecera "apenas socialmente". O que é "conhecer socialmente"? O que quer dizer isso? Certamente não é um conhecimento tão profundo quanto o de Demóstenes, que prestava serviços para Cachoeira. Pobre eleitor, quando constata que do PT ao DEM o envolvimento com malfeitorias não olha partido. Aliás, como estão parecidos os partidos. É quase como o final de "A Revolução dos Bichos", de Orwell, em que os outros animais (nós, eleitores e contribuintes) não conseguiam distinguir porcos e pessoas.

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