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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Alexandre Garcia

Capa e espada

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Cada vez que o governo se aperta, aparece mais do mesmo para aliviar. No início de julho, quando o governo estava sem resposta para os Jovens de Junho, apareceu a primeira "denúncia" de espionagem americana nos nossos meios eletrônicos de comunicação. Como aquela notícia já se esmaecia no tempo – como tudo por aqui – foi renovada com outra, de que estão arapongando as ligações da presidente com seus assessores – certamente o mais visado deva ser o assessor para política externa, Marco Aurélio Garcia. Ele já fora espionado por uma câmera de TV, que o flagrou fazendo top-top quando se noticiou a causa do desastre com o avião da TAM em Congonhas, há seis anos, em que morreram 200 pessoas.

Desde Nabucodonosor as nações espionam as outras – amigas ou inimigas. Espanha e Portugal se espionavam na época do descobrimento do Brasil. Portugal distribuía falsas informações de rotas marítimas, para fazer a contra-informação. Quando cobri a Guerra das Malvinas, a embaixada brasileira em Buenos Aires era uma boa fonte de informação, porque acompanhava tudo. Os americanos nunca esconderam que espionam. Tenho um livrinho deles, de capa-dura, chamado National Intelligence, editado em 1964, que conta tudo sobre a comunidade de inteligência. Lá está a NSA – National Security Agency. O livro, ostensivo, diz qual é a função da NSA, com todas as letras(a tradução é minha): "A interceptação e a decodificação de comunicações estrangeiras está a cargo da NSA, do Departamento de Defesa".
Os outros países do mundo sempre souberam, portanto, que a NSA intercepta e decodifica suas comunicações. Como hoje, na era digital e dos satélites, tudo está no ar – ou na nuvem – ficou mais fácil interceptar. Os países que queiram preservar suas informações têm que adotar contramedidas, como fazia Portugal há 500 anos. O jornalista Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, no seu livro Sobre o Islã, falando de atitudes dos Estados Unidos e Inglaterra na II Guerra, escreve: "Nações democráticas tomando medidas de exceção para fazer vencer a democracia."

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Segundo a notícia da espionagem, a NSA colocaria o Brasil no mesmo nível de suspeição que o Egito e Irã, o que parece um erro de avaliação ou sinal de que os americanos sabem mais do que sabemos nós, brasileiros. O governo brasileiro está irritado com a revelação de que até a presidente pode ser monitorada em suas ligações telefônicas com assessores, embora o documento não cite diálogo algum. Tem razão de existir a irritação. Não esqueçamos que a espionagem americana também está a serviço de interesses comerciais – que também são considerados como interesse nacional.

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Mas vamos ter que nos contentar em reclamar em órgãos internacionais, já que não temos outros meios para impor nossa soberania. Um único porta-aviões americano pode ter mais poderio bélico que toda a nossa Marinha e Força Aérea. O efeito maior é doméstico, quem sabe para aliviar manifestações marcadas para o Sete de Setembro.

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